Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, o petróleo continua influenciando diretamente o jogo político local. Mesmo após anos de redução nas receitas em comparação ao auge da exploração petrolífera, o município segue entre os maiores beneficiários de royalties do Brasil e voltou ao centro de uma intensa reorganização de forças políticas às vésperas das eleições de 2026.
Dados recentes mostram que Campos foi a quinta cidade que mais arrecadou royalties de petróleo no país em 2024, somando cerca de R$ 667,4 milhões. Além disso, o município recebeu previsão de mais de R$ 36 milhões em um único repasse mensal neste ano e ainda foi contemplado com um reforço retroativo milionário dentro de um pacote regional destinado a cidades produtoras do Rio de Janeiro.
Apesar da arrecadação bilionária acumulada ao longo das últimas décadas, indicadores sociais da cidade continuam abaixo da média nacional em diversos setores. O contraste entre riqueza petrolífera e dificuldades estruturais voltou a alimentar debates sobre a utilização histórica desses recursos e o futuro econômico da cidade.
Wladimir e Anthony Garotinho voltam ao centro da disputa
Nesse cenário, o grupo político da família Garotinho volta a ganhar protagonismo. O ex-prefeito Wladimir Garotinho deixou o comando da Prefeitura de Campos no início de abril após consolidar forte capital político na eleição municipal de 2024, quando foi reeleito com ampla votação.
Ao mesmo tempo, o ex-governador Anthony Garotinho retomou espaço no cenário estadual após decisões judiciais favoráveis que retiraram obstáculos políticos enfrentados nos últimos anos. Com isso, o grupo tenta reorganizar sua influência regional mirando novas disputas eleitorais no estado do Rio de Janeiro.
Nos bastidores políticos de Campos, a movimentação é vista como mais do que um embate familiar ou partidário. A disputa envolve o controle político de uma cidade historicamente estratégica no mapa dos royalties do petróleo e que ainda exerce forte influência econômica e eleitoral no interior fluminense.
Grupo Bacellar perde força após decisões judiciais
Do outro lado do tabuleiro político, o grupo ligado ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, enfrenta um momento de desgaste político e jurídico.
Após ter ampliado influência regional nos últimos anos, o grupo passou a enfrentar reveses importantes na Justiça Eleitoral e também no cenário político local. Em Campos, aliados ligados ao grupo reduziram o tom de enfrentamento direto ao atual governo municipal, sinalizando uma mudança de estratégia diante do novo cenário.
A leitura nos bastidores é que o chamado “bacellarismo” continua presente na política regional, mas já não ocupa a posição de protagonismo observada anteriormente.
Campos vive política do pós-boom do petróleo
Lideranças políticas avaliam que Campos atravessa um período de transição econômica. Embora o município ainda dependa fortemente da arrecadação petrolífera, a redução histórica dos repasses em comparação aos anos de auge forçou a cidade a buscar novas alternativas econômicas.
Nos últimos anos, administrações municipais passaram a defender projetos voltados para diversificação econômica, abertura de empresas e expansão do setor de serviços. Ainda assim, a força política dos royalties continua determinando alianças, disputas e estratégias eleitorais no município.
Com a aproximação das eleições de outubro, o cenário político campista deve continuar marcado por disputas entre grupos tradicionais, reorganização de alianças e pela tentativa de controlar o futuro político de uma das cidades mais estratégicas do interior do Rio de Janeiro.
Ao fundo de toda a disputa permanece o mesmo eixo: o petróleo. Menor do que antes, mas ainda poderoso o suficiente para influenciar o destino político e econômico de Campos dos Goytacazes.