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Pesquisa expõe abismo entre impacto da maternidade e da paternidade na carreira

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Pesquisa expõe abismo entre impacto da maternidade e da paternidade na carreira

Levantamentos da plataforma de empregos Infojobs, e divulgada pela coluna da Míriam Leitão, no Globo, indicam uma assimetria nas percepções sobre a chegada de filhos e a trajetória profissional: 64,47% dos homens que já são pais disseram que a paternidade teve impacto positivo na carreira, enquanto 42% das mulheres relataram receio de perder oportunidades com a maternidade.

Os percentuais não medem o mesmo fenômeno e não permitem uma comparação direta de experiências. Entre os pais, o dado trata da avaliação sobre um efeito já vivido; entre as mulheres, registra o temor de prejuízos profissionais, e não a confirmação de que vagas ou promoções foram efetivamente perdidas.

A pesquisa associa a percepção masculina sobre a paternidade a mais foco, produtividade e responsabilidade no emprego. Só 9,36% dos homens que já têm filhos relataram consequências negativas para a carreira após a chegada deles.

Entre profissionais que ainda não são pais, 46,09% esperam efeitos positivos quando tiverem filhos, enquanto 37,24% acreditam que a mudança não afetaria o percurso profissional. Essas respostas representam expectativas, não uma experiência concreta de paternidade.

Critérios de contratação e promoção entram no debate

Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, afirmou que a diferença aponta para vieses na maneira como empresas avaliam profissionais depois da formação de uma família. “O contraste entre as visões de homens e mulheres revela que não estamos discutindo apenas os efeitos de ter filhos, mas os vieses que determinam como cada profissional será visto depois dessa experiência”, disse.

A executiva defendeu que companhias examinem critérios subjetivos que pesam em contratações, promoções e avaliações de desempenho, além de políticas formais de benefícios. Os resultados divulgados não apresentam tamanho de amostra, período de coleta, perfil dos participantes ou detalhes sobre a formulação das perguntas.

“Oferecer benefícios é importante, mas não resolve sozinho uma desigualdade construída pela cultura organizacional”, afirmou Suzuki. Para ela, empresas precisam verificar se mães e pais recebem as mesmas oportunidades e se dispõem de condições concretas para conciliar trabalho e família.

A diretora também defendeu uma divisão mais equilibrada dos cuidados familiares. “A equidade depende de tornar o cuidado uma responsabilidade compartilhada. Quanto mais natural for para um homem ajustar sua rotina, acompanhar os filhos e utilizar políticas de parentalidade, menor será a tendência de considerar que apenas a carreira das mulheres será afetada pela formação de uma família”, declarou.

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