Pedido de vista do desembargador Paulo Cesar Salomão Filho voltou a adiar nesta quinta-feira (23) a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) sobre a denúncia contra o deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) no caso conhecido como “QG da Propina”. O pedido foi feito logo após o desembargador Guilherme Calmon apresentar seu voto pelo recebimento da denúncia contra Crivella, deixando o placar empatado em 2 votos a 2.
A ação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a suposta cobrança de propina de empresários em troca de favorecimento na celebração de contratos com a Prefeitura do Rio durante a gestão de Marcelo Crivella. O parlamentar, que também é pré-candidato ao Senado pelo Republicanos, nega todas as acusações.
Guilherme Calmon vota pelo recebimento da denúncia
o apresentar seu voto, o desembargador Guilherme Calmon fez um histórico das investigações e destacou que o caso já foi analisado anteriormente pelo Poder Judiciário em diferentes fases processuais.
Segundo o magistrado, nas três oportunidades anteriores a Justiça reconheceu a existência de indícios suficientes para o prosseguimento das investigações. Ele também citou transcrições de interceptações que apontariam o empresário Rafael Alves como pessoa de confiança do então prefeito Marcelo Crivella.
Após o voto de Calmon, a desembargadora Sylvia Hausen também se manifestou pelo recebimento da denúncia. Na sequência, Paulo Cesar Salomão Filho pediu vista do processo, suspendendo novamente o julgamento.
Placar fica empatado
Até o momento, o julgamento registra empate.
Votaram pela rejeição da denúncia:
- Manoela Dourado (relatora);
- Fernando Cerqueira Chagas.
Votaram pelo recebimento da denúncia:
- Guilherme Calmon;
- Sylvia Hausen.
Esta é a segunda interrupção do julgamento por pedido de vista. Em junho, o próprio Guilherme Calmon havia solicitado mais tempo para analisar o processo antes de apresentar seu voto.
A expectativa é que o caso volte à pauta na próxima sessão do TRE-RJ, prevista para agosto.
O caso “QG da Propina”
A investigação apura um suposto esquema de corrupção instalado na Prefeitura do Rio durante a administração de Marcelo Crivella.
De acordo com o Ministério Público, empresários pagariam propina em troca de benefícios em contratos públicos. Um dos principais focos da investigação é o contrato de aproximadamente R$ 789 milhões firmado entre o Previ-Rio, instituto de previdência dos servidores municipais, e o grupo Assim Saúde.
Segundo a acusação, a licitação teria sido direcionada para beneficiar a empresa vencedora. Em troca, teria sido acertado o pagamento de propina equivalente a 3% do valor dos contratos, utilizando empresas de fachada, contratos fictícios e notas fiscais frias para ocultar os pagamentos.
O Ministério Público sustenta que o esquema movimentou cerca de R$ 32 milhões, valor cuja devolução aos cofres públicos foi solicitada à Justiça.
Caso também tramita na Justiça comum
Além da ação na Justiça Eleitoral, Marcelo Crivella também responde a processo na Justiça comum.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o ex-prefeito e outras dez pessoas por improbidade administrativa. Na ação, os promotores afirmam que o esquema de corrupção foi executado de forma “planejada, consciente e coordenada”, tendo Crivella e o empresário Rafael Alves como principais articuladores.
Ainda segundo o MP-RJ, após vencer a licitação, o grupo Assim Saúde teria contratado empresas de fachada indicadas pelos investigados para simular serviços inexistentes e desviar recursos públicos.
Crivella e Rafael Alves chegaram a ser presos no fim de 2020 durante as investigações da operação que ficou conhecida como “QG da Propina”. Ambos negam as acusações.
A defesa de Marcelo Crivella afirma que não há provas que sustentem as denúncias e pede o arquivamento da ação.