A vereadora bolsonarista Janaína Paschoal (PSL) cobrou nesta quinta-feira (23) que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esclareça de uma só vez dúvidas sobre suas atividades, após novos desdobramentos envolvendo o escritório de advocacia do parlamentar e empresas citadas no caso Banco Master.
Em publicação no X, Janaína recomendou que o senador faça uma transmissão para antecipar explicações sobre eventuais revelações futuras. “Eu recomendo, respeitosamente, que Flávio Bolsonaro abra uma live e anuncie, de uma só vez, ‘tudo de duvidoso’ que ainda pode aparecer. Essas revelações pontuais, com a constatação da inveracidade das muitas negativas anteriores, minam qualquer possibilidade de reconciliação”, afirmou.
A vereadora também defendeu que o senador adote uma postura imediata para evitar novas surpresas negativas no caso. “Eu aque é melhor dar (tomar) um grande choque, que ficar se surpreendendo, negativamente, ao longo do tempo”, escreveu Janaína.
Bom dia, Amados! Eu recomendo, respeitosamente, que Flávio Bolsonaro abra uma live e anuncie, de uma só vez, “tudo de duvidoso” que ainda pode aparecer. Essas revelações pontuais, com a constatação da inveracidade das muitas negativas anteriores, minam qualquer possibilidade de…
— Janaina Paschoal (@JanainaDoBrasil) July 23, 2026
A cobrança ocorreu após revelações de que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria. Os documentos foram registrados em 7 de abril de 2025 e cancelados no mesmo dia.
A Copenhagen teve como diretor Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. A Trustee e Figueiredo aparecem em investigações relacionadas ao Banco Master, em apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras; documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado apontam que a Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do banco entre 2024 e 2025.
Sobre as notas canceladas, a Trustee afirmou que Artur Figueiredo atuava apenas como representante de um fundo junto à Copenhagen, sem responsabilidade pela gestão dos negócios da consultoria. Flávio Bolsonaro declarou em redes sociais que decidiu não prestar os serviços de advocacia à empresa e, por isso, anulou os documentos fiscais.
Dois dias depois do primeiro registro, em 9 de abril de 2025, o escritório do senador emitiu uma nova nota fiscal, também de R$ 500 mil. Desta vez, a cobrança por “assessoria jurídica” teve como destinatária a empresa Contábil Corrêa.
A Contábil Corrêa consta em nome do empresário Rogério Novo. Registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo indicam que ele assumiu a diretoria da Copenhagen Assessoria e Consultoria em setembro de 2025, cinco meses após a emissão da nota, sucedendo Artur Figueiredo.