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Em obra irregular, os crimes de empresário bolsonarista que morreu

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Em obra irregular, os crimes de empresário bolsonarista que morreu

O empresário Vanderson Santana, de 35 anos, morto junto com três pedreiros em sua distribuidora de bebidas na cidade de Cariacica (ES), era apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus asseclas.

Se tivesse sobrevivido, Vanderson poderia responder por homicídio culposo, ao expor os operários a risco fatal em um terreno instável, e por colocar em risco o patrimônio alheio com a escavação irregular.

Além do empresário, morreram Ronival Moreira de Jesus, seu filho Ruan Moreira da Luz, e o tio da família, Valdomiro Moreira de Jesus. Os três trabalhavam juntos na construção e eram moradores do bairro Nova Rosa da Penha II, onde ocorreu o deslizamento.

Os quatro morreram na tarde de sexta (31), quando a barreira de terra cedeu durante uma escavação. Horas antes da tragédia, Vanderson compartilhou imagens mostrando o andamento da obra de ampliação da distribuidora.

O empresário mantinha presença ativa nas redes sociais e costumava publicar vídeos sobre a rotina da empresa, que funcionava havia cerca de 15 anos, e sobre os planos de crescimento do negócio.

O empresário era bolsonarista e usava o mesmo perfil para acompanhar alguns políticos de extrema-direita, como Bolsonaro, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Os crimes cometidos pelo bolsonarista

Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), a intervenção apresentava irregularidades e o barranco estava sendo escavado sem seguir normas técnicas de segurança.

O engenheiro Giuliano Battisti, do Crea-ES, afirmou que o corte no terreno foi feito de maneira incompatível com os procedimentos recomendados. “Um corte feito totalmente reto, com 90 graus, coloca totalmente em risco tanto os imóveis acima quanto quem está trabalhando abaixo. As normas determinam as inclinações dos cortes. O que vimos foi algo totalmente fora das normas de segurança e das normas técnicas”, explicou.

Ainda segundo o conselho, havia um projeto inicial para a obra, mas ele não teve continuidade. Depois disso, os serviços teriam sido realizados sem acompanhamento de um responsável técnico. A Prefeitura de Cariacica informou que a obra havia sido embargada cerca de um ano antes, com determinação de paralisação imediata.

O empresário cometeu pelo menos três infrações técnicas e dois crimes com a obra. O primeiro é de desobediência a ordem legal, já que a ampliação da distribuidora de bebidas estava oficialmente embargada.

Também entram na lista de infrações ausência de responsabilidade técnica, já que as escavações ocorreram sem nenhum engenheiro ou profissional técnico qualificado, e violação de normas de segurança, por causa do corte do barranco fora dos padrões técnicos.

Sepultamento

Os quatro foram sepultados na tarde de sábado (1º). O velório ocorreu em uma escola municipal de Nova Rosa da Penha II e reuniu familiares, amigos e funcionários da empresa, que prestaram homenagens usando os uniformes da distribuidora.

A tragédia também atingiu a família de Ronival, Ruan e Valdomiro. Ronival havia trabalhado por anos como taxista antes de atuar na construção civil e deixou a esposa e dois filhos.

Ruan, casado e pai de três crianças, havia deixado o emprego na Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) para trabalhar com o pai. Valdomiro deixou uma filha e um neto.

Após o deslizamento, a Defesa Civil interditou por tempo indeterminado três imóveis: a distribuidora onde a obra era realizada, um galpão vizinho e uma casa construída acima do barranco. A família que vivia na residência precisou deixar o local e está abrigada na casa de parentes.

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