A defesa de Jair Bolsonaro negou que o ex-presidente tenha autorizado o vídeo produzido com inteligência artificial e exibido na convenção do PL que referendou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato ao Palácio do Planalto. Com essa posição, a campanha do senador passa a responder diretamente pelo uso do material.
O vídeo reproduziu uma imagem artificial de Bolsonaro afirmando estar “preso e calado por uma decisão arbitrária” e dizendo que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança”. A gravação também pediu que os apoiadores recebessem Flávio “de braços abertos” na disputa presidencial.
O PT acionou a Justiça Eleitoral sob a acusação de uso de deepfake, técnica que altera ou cria imagens e vídeos com auxílio de inteligência artificial. A legislação eleitoral proíbe esse tipo de conteúdo, e o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, relata a ação.
A defesa de Flávio deve sustentar que o senador ainda está em período de pré-campanha e, por isso, não poderia sofrer punição pelo uso da tecnologia. Os advogados também já argumentaram que perfis ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicaram conteúdos com inteligência artificial nas redes sociais.
📹#vídeo 🗳️ Vídeo de “Bolsonaro” feito com IA é exibido em convenção do PL
➡️ Gravação usa imagem e voz simuladas do ex-presidente; ele cumpre prisão domiciliar por condenação após tentativa de golpe
👇Assista ao vídeo: pic.twitter.com/gZP1J7BI2p
— Poder360 (@Poder360) July 25, 2026
Moraes pediu esclarecimentos sobre imagem e voz de Bolsonaro
Em processo separado, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 48 horas para os advogados de Bolsonaro informarem se ele autorizou o uso de sua imagem e de sua voz no vídeo. O magistrado avalia se houve descumprimento das medidas impostas durante a prisão domiciliar.
Moraes lembrou que Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos após a condenação criminal por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente também não pode acessar redes sociais, inclusive por meios indiretos.
Se a defesa mantiver que Bolsonaro não sabia da produção e da exibição do vídeo, a explicação sobre a iniciativa ficará sob responsabilidade da campanha de Flávio. O senador usa a imagem do pai como um dos eixos de sua pré-campanha para tentar avançar nas pesquisas de intenção de voto.
O caso ocorre menos de um mês depois da divulgação online de uma carta manuscrita de Bolsonaro em apoio à pré-candidatura do filho. Na ocasião, a defesa afirmou que o ex-presidente “jamais soube” que Flávio publicaria o texto nas redes sociais, e Moraes proibiu o senador de visitar o pai por 90 dias ao apontar reincidência no descumprimento de cautelares.