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Nunes Marques alimenta “teoria da conspiração” dentro do TSE; entenda

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Nunes Marques alimenta “teoria da conspiração” dentro do TSE; entenda

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, cultiva uma teoria da conspiração sobre as eleições, com especial desconfiança em relação às pesquisas eleitorais, de acordo com informações do Globo.

Desde o ano passado, o magistrado já dividiu com colegas sua suspeita sobre uma possível manipulação de levantamentos para favorecer candidatos, chegando a citar exemplos que diz ter conhecimento no Piauí, seu estado natal.

Não por acaso, Nunes Marques propôs um selo para institutos de pesquisa que mais acertarem o resultado das eleições, ideia que foi mal recebida pelas empresas e pelos próprios ministros que participaram da reunião.

O presidente do TSE, então, recuou parcialmente. Comprometeu-se a ouvir colegas e especialistas sobre alternativas à proposta, mas deixou claro que as pesquisas serão um dos focos de sua gestão. A desconfiança de Nunes Marques sobre a integridade dos levantamentos contrasta com a avaliação de seus pares, que consideram o tema superado e apontam que o magistrado cede a narrativas sem fundamento técnico.

Pressão de ministros por resposta mais dura

Ao mesmo tempo em que alimenta teorias sobre pesquisas, Nunes Marques enfrenta cobranças de ministros do STF e do TSE para endurecer o tom contra ataques recentes ao sistema eleitoral. A reação ganhou força depois que o Itamaraty negou vistos a dois assessores do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que viriam ao Brasil para levantar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas.

Segundo o jornal The Washington Post, os funcionários de alto nível do Departamento de Estado pretendiam se reunir com lideranças políticas e religiosas para questionar o processo eleitoral brasileiro.

Integrantes do Judiciário avaliaram como graves e absurdas as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que em reunião com embaixadores afirmou que as urnas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, o que é falso.

Ao reproduzir uma nota de 2022 para desmentir as declarações, o TSE evitou um posicionamento mais incisivo, o que desagradou ministros, que consideraram a manifestação tímida e fraca. Para eles, a nota não refletiu a gravidade do momento nem respondeu à tentativa de colocar em dúvida a confiabilidade do sistema.

A expectativa interna é que Nunes Marques envie um recado mais firme na reunião com embaixadores prevista para depois do recesso do Judiciário, vista como o espaço institucional para defender publicamente o sistema eletrônico de votação.

A pressão também se soma à percepção de que Flávio Bolsonaro conta com um TSE “amigo” devido à indicação de Nunes Marques ao STF por Jair Bolsonaro, o que geraria reações mais brandas que seus antecessores.

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