O presidente da Argentina, Javier Milei, ampliou nesta segunda-feira (27) sua ofensiva contra Luiz Inácio Lula da Silva ao compartilhar uma sequência de ataques, acusações sem provas e informações falsas no X. Os reposts vieram depois de o argentino insultar o presidente brasileiro e o ministro Alexandre de Moraes durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Entre as publicações impulsionadas por Milei estava a alegação de que Lula colocou uma equipe e “milhões de dólares” a serviço de notícias falsas contra o argentino na eleição de 2023. Publicitários brasileiros ligados ao PT trabalharam na campanha de Sergio Massa, adversário de Milei, mas não há prova de que Lula ou o governo brasileiro tenham financiado o grupo nem injetado milhões na operação.
Milei também compartilhou uma postagem da deputada argentina Lilia Lemoine que chama Lula de “ex-presidiário”, afirma que ele “mantém Bolsonaro proscrito” e diz que seu governo encarcerou uma argentina apenas por um “gesto obsceno”. Jair Bolsonaro, porém, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, sem participação de Lula na decisão.
A outra referência foi para a argentina Agostina Páez, acusada de injúria racial após uma discussão em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro. Imagens registraram a mulher imitando gestos e sons de macaco diante de trabalhadores negros. A Justiça posteriormente autorizou seu retorno à Argentina mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Outra publicação compartilhada pelo presidente argentino apresentou um longo texto intitulado “Por que Lula é ladrão?”. O autor enumerou as antigas condenações da Lava Jato, mas tratou como detalhe o fato de que elas foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal porque a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. O STF também reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no caso do tríplex. Isso não equivale a uma absolvição de mérito, mas significa que Lula não possui hoje condenação criminal válida.
Milei ainda repostou um texto que atribui a reação diplomática brasileira e a cobertura negativa da imprensa aos gastos do governo Lula com publicidade. A publicação não apresenta prova de que verbas publicitárias tenham orientado reportagens ou manifestações oficiais e transforma a coincidência entre despesas públicas e críticas ao argentino em uma teoria de coordenação política.
A nova rodada de ataques ocorreu depois de Milei chamar Lula de “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista” em território brasileiro. O argentino também chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca” e usou a convenção de Flávio Bolsonaro para pedir uma mudança política no Brasil. O Itamaraty convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para cobrar explicações e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.
Lula evitou entrar diretamente na escalada e respondeu “Quem é esse cara?” ao ser questionado sobre Milei. O argentino, no entanto, prolongou o confronto nas redes e colocou a conta oficial da Presidência a serviço da amplificação de ataques pessoais, distorções judiciais e acusações eleitorais sem provas contra o chefe de Estado do principal parceiro comercial de seu país.
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