A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao centro das discussões políticas ao criticar publicamente o ex-ministro Ciro Gomes. A manifestação ocorreu na noite de segunda-feira (5), após ela compartilhar nas redes sociais um vídeo antigo em que o político faz declarações duras contra Jair Bolsonaro.
Na gravação, concedida em 2019 ao canal MyNews, Ciro classifica Bolsonaro como “quase doente”, além de questionar sua capacidade intelectual com termos como “curta”, “burro” e “jumento”. Ao repostar o conteúdo, Michelle escreveu: “E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo”, reacendendo o debate dentro do Partido Liberal (PL).
O episódio não é isolado. Michelle já havia se posicionado contra qualquer aproximação com Ciro em dezembro do ano passado, quando surgiram articulações do PL no Ceará envolvendo o ex-governador, atualmente pré-candidato ao governo estadual.
Na ocasião, ela afirmou não poder apoiar “um homem que tanto mal causou” ao ex-presidente e à sua família. A ex-primeira-dama também responsabilizou Ciro por fortalecer críticas recorrentes contra Bolsonaro ao longo dos últimos anos, especialmente em embates públicos.
A nova crítica gerou repercussão imediata dentro do núcleo político ligado ao ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro classificou a postura como “autoritária” e afirmou que Michelle desconsiderou decisões previamente alinhadas por Jair Bolsonaro em relação às negociações no Ceará.
Já Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro também defenderam a estratégia política do pai, criticando a exposição pública do impasse. Dias depois, Flávio recuou e pediu desculpas, o que amenizou temporariamente a crise interna.
Mesmo com o desgaste, as negociações envolvendo o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes no Ceará continuam nos bastidores. O estado, peça-chave no Nordeste, tem sido alvo de articulações intensas visando a formação de alianças para as próximas eleições.
Entre os nomes discutidos estão possíveis composições para o Senado, como Alcides Fernandes, além de diálogos com lideranças como Capitão Wagner e Roberto Cláudio, ampliando o campo de alianças políticas na região.
O novo posicionamento de Michelle Bolsonaro volta a expor divisões internas no campo bolsonarista, especialmente em um momento estratégico de definição eleitoral. A repercussão pode influenciar diretamente o andamento das negociações no Ceará e a construção de alianças dentro do PL.
Nos próximos dias, a expectativa é de novos desdobramentos, tanto no cenário interno do partido quanto nas articulações políticas regionais, que seguem em ritmo acelerado.