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O jogador Lionel Messi, durante a Copa 2026.

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O jogador Lionel Messi, durante a Copa 2026.

Aos 39 anos, Lionel Messi entra em campo para disputar sua terceira final de Copa do Mundo já sem precisar provar mais nada. Campeão mundial, maior ídolo da história da Argentina para muitos e protagonista de uma carreira sem paralelos, o camisa 10 chega ao momento decisivo consolidado como um fenômeno que transcende o futebol.

A trajetória de Messi começou a mudar quando tinha apenas 13 anos. Seu pai assinou, em um guardanapo, o contrato que o levou ao Barcelona. Além de bancar a mudança da família de Rosário para a Espanha, o clube financiou o tratamento hormonal que permitiu ao jovem talento crescer e desenvolver todo o seu potencial.

Embora tenha vivido praticamente toda a vida adulta fora da Argentina, Messi nunca abriu mão de representar seu país. A Espanha tentou convencê-lo a defender sua seleção de base, mas ele recusou. Manteve o sotaque, a identidade argentina e a decisão de vestir apenas a camisa albiceleste.

Sua estreia pela seleção principal, em 2005, foi traumática: expulso apenas 45 segundos depois de entrar em campo. Ainda assim, seu talento era inquestionável. Dono de uma capacidade extraordinária de antecipação e mudança de direção, rapidamente passou a ser comparado a Diego Maradona.

As comparações, no entanto, sempre destacaram perfis muito diferentes. Maradona era explosivo, carismático e emocional, um líder que canalizava a paixão dos argentinos dentro e fora de campo. Messi, por sua vez, construiu sua liderança de forma silenciosa. Reservado, familiar e distante dos holofotes fora das quatro linhas, demorou para estabelecer uma conexão emocional semelhante com o país.

O ex-jogador Carlos Tevez chegou a afirmar que Messi era um “pecho frío” — expressão usada na Argentina para designar alguém que não demonstra paixão suficiente pela camisa.

Durante anos, carregou o peso das derrotas em grandes decisões. Foi vice da Copa de 2014 e perdeu finais consecutivas da Copa América, chegando a anunciar uma aposentadoria da seleção em 2016. A decisão durou pouco.

A virada aconteceu com a chegada de Lionel Scaloni ao comando técnico. O treinador compreendeu como potencializar o camisa 10 e montou uma equipe inteiramente voltada para explorar suas qualidades. Vieram então a conquista da Copa América de 2021 e, um ano depois, o título mundial que completou sua coleção de troféus.

Mesmo aos 39 anos, Messi continua decisivo. Nesta Copa, voltou a liderar a Argentina com gols, assistências e uma inteligência de jogo rara. Embora já não tenha a velocidade de outros tempos, compensa cada perda física com leitura de jogo e posicionamento.

Companheiros afirmam que basta Messi iniciar uma corrida para saberem que ele encontrou um espaço invisível aos demais. Toda a equipe se movimenta em função dessa percepção privilegiada.

Sua influência também vai além do campo. Em qualquer estádio onde a Argentina joga, a maioria das camisas nas arquibancadas leva seu nome. Grande parte pertence a argentinos que vivem espalhados pelo mundo, reforçando o papel de Messi como símbolo de uma diáspora que continua profundamente ligada ao país de origem.

Mais do que um atleta extraordinário, Messi se transformou em um fenômeno cultural. Sua carreira ajudou a projetar uma nova imagem da Argentina para o mundo e consolidou um protagonismo esportivo que ultrapassa fronteiras.

Independentemente do resultado da final, sua posição na história já está assegurada: Lionel Messi chega ao último capítulo de sua carreira como uma lenda que não precisa mais provar absolutamente nada.

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