O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a interlocutores que não pretende aliviar para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito sobre o filme “Dark Horse”, longa-metragem ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação circula nos bastidores da Corte após a abertura formal da investigação na Polícia Federal.
Segundo o Estadão, Mendonça tem dito que atuará estritamente dentro da lei e que a apuração terá o encaminhamento legal devido se identificar elementos concretos de crime. O ministro também indicou que sua gratidão pela indicação ao STF feita por Jair Bolsonaro não se sobrepõe ao papel institucional na Corte, à trajetória profissional nem ao compromisso ético.
Nesta quinta-feira (23), Mendonça autorizou a abertura formal do inquérito na Polícia Federal para investigar Flávio nos desdobramentos do caso Banco Master. A PF pediu a instauração da apuração, e a Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que havia elementos para abrir a investigação. O caso passou a alcançar o senador após a descoberta de mensagens e áudios ligados às investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro.
O nome de Flávio surgiu nas apurações depois que investigadores localizaram mensagens e áudios em que o senador pedia o repasse de R$ 134 milhões. A quantia iria para a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Um trailer do longa foi exibido em uma reunião do PL com parlamentares do partido. O trecho apresentava a facada sofrida por Jair Bolsonaro como parte de um conluio do sistema contra o ex-presidente.
Nos bastidores de Brasília, aliados avaliam que o histórico entre Mendonça e Flávio afasta a expectativa de proteção institucional. Durante as articulações para a vaga no STF, em 2021, o senador não fez campanha pelo nome escolhido pelo pai e defendia outros candidatos, entre eles o então presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins.
No dia da sabatina de Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Flávio teve atuação discreta e se limitou a conversas reservadas de bastidor, sem demonstrações públicas de apoio. A Coluna do Estadão relatou ainda que o congressista não apresentou prestação de contas dos valores recebidos, o que alimenta suspeitas sobre eventual uso da verba para outras finalidades, inclusive para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.