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Descoberta Surpreendente: Medicamento Contra Vermes Mostra Promessa no Tratamento de Câncer Cerebral

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

Um medicamento amplamente utilizado para combater vermes intestinais pode se tornar um aliado no tratamento de alguns dos tipos mais agressivos de câncer cerebral. É o que aponta uma revisão científica publicada no British Journal of Clinical Pharmacology, que analisou 22 estudos sobre o uso do mebendazol em tumores cerebrais.

O remédio, conhecido há décadas pelo tratamento de infecções causadas por vermes intestinais, apresentou resultados promissores em pesquisas realizadas com animais e células tumorais em laboratório.

Segundo os pesquisadores, o medicamento foi capaz de retardar o crescimento dos tumores cerebrais e aumentar significativamente a sobrevida dos animais estudados.

Nos testes realizados com ratos, os pesquisadores observaram que o mebendazol chegou a dobrar o tempo de sobrevivência dos animais.

Quando combinado à radioterapia, os resultados foram ainda mais expressivos: mais da metade dos animais permaneceram livres dos tumores por longos períodos.

A descoberta desperta interesse principalmente porque os cânceres cerebrais continuam entre os mais difíceis de tratar na medicina moderna.

Entre os tumores mais agressivos estão:

  • Glioblastoma;
  • Glioma difuso da linha média;
  • Meduloblastoma;
  • Meningioma.

Mesmo com cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a taxa de sobrevivência em cinco anos permanece baixa em muitos casos.

No glioblastoma, considerado o câncer cerebral mais agressivo, a expectativa média de vida após o diagnóstico varia entre 12 e 16 meses.

A revisão científica identificou que o mebendazol atua sobre as células cancerígenas por diferentes mecanismos ao mesmo tempo.

Entre eles:

  1. Interrupção da divisão celular;
  2. Bloqueio da formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor;
  3. Redução dos sinais químicos que estimulam o crescimento tumoral;
  4. Comprometimento do reparo do DNA das células cancerígenas;
  5. Aumento da sensibilidade à radioterapia;
  6. Potencialização dos efeitos da quimioterapia.

Segundo o pesquisador Liam O’Callaghan, da Bond University, um dos aspectos mais interessantes observados foi justamente a capacidade do medicamento de atacar o tumor por várias vias diferentes simultaneamente.

Apesar dos resultados animadores, os cientistas alertam que ainda não existem evidências suficientes para afirmar que o medicamento seja eficaz contra câncer cerebral em pacientes humanos.

Os estudos clínicos realizados até o momento são considerados pequenos e ainda apresentam resultados inconsistentes.

Por outro lado, as pesquisas indicaram que altas doses do medicamento demonstraram perfil de segurança aceitável tanto em adultos quanto em crianças.

Os pesquisadores defendem que novos ensaios clínicos sejam realizados para confirmar se os benefícios observados em laboratório poderão ser reproduzidos em pacientes.

O interesse pelo reposicionamento de medicamentos já existentes tem crescido nos últimos anos porque essas substâncias já possuem histórico de segurança conhecido, o que pode reduzir custos e acelerar futuras pesquisas.

Embora o mebendazol ainda esteja longe de ser considerado um tratamento padrão para câncer cerebral, os resultados obtidos até agora colocam o medicamento entre as alternativas que merecem investigação aprofundada pela comunidade científica.

A expectativa dos especialistas é que novos estudos possam esclarecer se o remédio realmente poderá integrar, no futuro, as estratégias de combate aos tumores cerebrais mais agressivos.

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