Pular para o conteúdo
Economia

Margem Equatorial ganha peso estratégico em debate sobre petróleo, desenvolvimento e transição energética

Por 3 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto

A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, voltou a colocar a Margem Equatorial no centro do debate sobre segurança energética, desenvolvimento econômico e transição para fontes de menor emissão de carbono. A Petrobras informou em 14 de agosto que identificou hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá. Apesar do resultado, ainda não estão definidos o volume da descoberta nem sua eventual viabilidade comercial.

Durante visita à operação da Petrobras no Amapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a importância estratégica da região para o país e relacionou o potencial petrolífero brasileiro à segurança energética em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas. Lula também mencionou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, ao tratar da possibilidade de o Brasil ampliar sua relevância no mercado internacional de energia.

Para Mahatma Ramos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), novas descobertas na Margem Equatorial podem gerar receitas e ampliar a segurança energética brasileira. O próprio Ineep tem defendido que o potencial da região seja analisado também sob as perspectivas de soberania, desenvolvimento e transição energética. A dimensão econômica dos possíveis ganhos, porém, somente poderá ser estimada com maior precisão após novos estudos sobre o tamanho das acumulações e as condições para uma eventual produção comercial.

O debate também envolve questões ambientais. O geólogo e professor da Universidade Federal do Amapá Marcelo José de Oliveira, doutor em Desenvolvimento Sustentável, destaca as características particulares da costa amazônica, marcada pela descarga do Rio Amazonas, transporte de sedimentos e fortes correntes marítimas. Modelagens já realizadas apontam cenários em que a distância dos poços e o comportamento das correntes podem reduzir a possibilidade de óleo alcançar diretamente determinados trechos da costa, mas especialistas ressaltam que risco reduzido não significa risco inexistente e defendem estudos, fiscalização e planos de resposta adequados.

A discussão ganha importância justamente quando o Brasil se aproxima de uma nova fase de sua produção petrolífera. Atualmente, mais de 80% da produção nacional de petróleo e gás está associada ao pré-sal, enquanto a Petrobras prevê a necessidade de incorporar novas reservas diante da expectativa de que essa produção alcance um pico na próxima década. A Margem Equatorial aparece, nesse contexto, como uma das alternativas estudadas pela estatal, mas qualquer avanço dependerá de resultados exploratórios, viabilidade econômica e das autorizações ambientais aplicáveis.

Ao mesmo tempo, permanece aberta a discussão sobre como transformar uma eventual nova riqueza petrolífera em desenvolvimento e financiar a transição energética. Para Ramos, o país dispõe de diferentes recursos e possibilidades para avançar na mudança de sua matriz energética sem perder de vista a segurança de abastecimento. O desafio será conciliar eventual produção de petróleo, geração de receitas, proteção ambiental e investimentos em fontes renováveis equilíbrio que deverá permanecer no centro das decisões sobre o futuro da Margem Equatorial.

Ouvir texto Pronto