A dona das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, o Grupo Gennius, teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. A empresa declarou uma dívida de R$ 265,2 milhões e afirma que a medida faz parte de uma reestruturação financeira para garantir a continuidade e a sustentabilidade das operações no longo prazo.
Segundo informações apresentadas no processo, o pedido foi protocolado na segunda-feira (24) e deferido pela Justiça no dia seguinte. Apesar da recuperação judicial, o grupo informou que as lojas continuam funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes e a rotina das unidades.
No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Gennius atribuiu o agravamento da situação financeira a uma combinação de fatores que afetaram o setor de alimentação nos últimos anos.
Entre eles estão os impactos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19, que reduziram o fluxo de consumidores em shoppings e centros urbanos, a mudança nos hábitos de consumo com o crescimento dos serviços de delivery e o aumento das taxas de juros.
De acordo com a empresa, a combinação entre menor movimentação nas unidades e o encarecimento das dívidas pressionou o caixa e dificultou o cumprimento de compromissos financeiros, incluindo pagamentos a fornecedores.
O grupo atua no mercado brasileiro há quase quatro décadas. Atualmente, segundo os dados apresentados no processo, possui 119 lojas próprias do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall.
Embora as marcas tenham uma presença maior no país por meio de unidades próprias e franqueadas, a recuperação judicial não abrange as lojas operadas pelos franqueados.
Isso significa que as unidades franqueadas não integram o processo de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Gennius. A medida está concentrada nas empresas que fazem parte do pedido submetido à Justiça.
A distinção é relevante porque o sistema de franquias representa uma parcela importante da operação das marcas e envolve empresas juridicamente independentes das companhias diretamente submetidas ao processo.
Com o deferimento da recuperação judicial, o juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a KPMG para atuar como administradora judicial do processo.
A função da administradora é acompanhar a recuperação, analisar informações apresentadas pelas empresas e auxiliar a Justiça na fiscalização do procedimento e na verificação da situação dos credores.
A partir do deferimento, determinadas ações e cobranças contra as empresas recuperandas ficam temporariamente suspensas, conforme as regras previstas na legislação brasileira de recuperação judicial. O objetivo dessa etapa é permitir que a companhia tenha um período para reorganizar suas obrigações enquanto negocia uma possível solução com os credores.
A KPMG deverá apresentar, dentro do prazo estabelecido, um relatório relacionado à situação do grupo e ao pedido de tratamento conjunto das dívidas.
O próximo passo importante será a elaboração do plano de recuperação judicial.
Pela legislação, o Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar à Justiça uma proposta de reorganização e pagamento dos débitos. O documento deverá estabelecer as condições para tentativa de superação da crise econômico-financeira e deverá ser submetido ao procedimento previsto para análise dos credores.
Antes disso, será formada a relação de credores, que poderão verificar os valores atribuídos aos seus respectivos créditos e apresentar eventuais divergências ou pedidos de inclusão, conforme as regras do processo.
O descumprimento do prazo legal para apresentação do plano pode levar à conversão da recuperação judicial em falência, nos termos da legislação aplicável.
Apesar da dimensão da dívida declarada e da abertura do processo de recuperação judicial, o Grupo Gennius afirma que as operações comerciais não foram interrompidas.
As unidades próprias das marcas continuam atendendo normalmente, segundo a empresa, e a recuperação judicial tem como objetivo justamente criar condições para reorganizar as obrigações financeiras sem interromper a atividade empresarial.
A recuperação judicial, por si só, não significa o encerramento imediato das atividades de uma companhia. Trata-se de um mecanismo previsto na legislação para empresas que enfrentam dificuldades econômico-financeiras e buscam reorganizar suas dívidas, preservar suas atividades e negociar com credores.
O caso ainda terá novas etapas no Judiciário, incluindo a apresentação do plano de recuperação e a participação dos credores no processo. Até o momento, o Grupo Gennius mantém a informação de que suas lojas continuam funcionando normalmente.




