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Ciência

Hibernação artificial preserva memórias em camundongos mesmo após perda de conexões cerebrais, aponta estudo

Por 2 min de leitura Expresso Rio
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Um estudo publicado na revista científica Science identificou que camundongos conseguiram preservar memórias mesmo após uma redução expressiva das conexões entre neurônios durante um estado de hibernação artificial. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), no Japão, em colaboração com instituições como a Universidade de Tsukuba. Segundo o OIST, mais da metade das sinapses analisadas no hipocampo região cerebral diretamente relacionada à formação e recuperação de memórias desapareceu durante o procedimento, enquanto a atividade neuronal caiu aproximadamente 70%.

Apesar das alterações estruturais, testes realizados após os animais saírem do estado de hibernação artificial mostraram que a capacidade de recordar informações anteriormente aprendidas foi mantida e, em alguns experimentos, chegou a apresentar melhora. Os cientistas observaram que determinadas conexões associadas aos chamados engramas, estruturas celulares relacionadas ao armazenamento de memórias, permaneceram organizadas em pequenos agrupamentos mesmo durante a intensa redução da atividade cerebral.

Entre as estruturas que chamaram a atenção dos pesquisadores estão os chamados botões multissinápticos, nos quais um único terminal pré-sináptico estabelece contato com diferentes espinhas dendríticas. Essas estruturas apresentaram maior probabilidade de permanecer preservadas durante a hibernação artificial. O resultado levou os autores a levantar a hipótese de que a organização das conexões entre determinados neurônios pode ser tão ou mais importante para a manutenção de uma lembrança do que simplesmente a quantidade ou o tamanho individual das sinapses. Os próprios pesquisadores ressaltam, entretanto, que a associação observada ainda não comprova uma relação causal definitiva.

Outro dado observado durante os experimentos foi a capacidade do cérebro de reconstruir grande parte das estruturas temporariamente perdidas: mais de 80% das espinhas dendríticas desaparecidas voltaram a surgir nos mesmos locais depois do período de hibernação, segundo relato sobre o estudo. Os resultados podem contribuir para novas pesquisas sobre os mecanismos biológicos envolvidos na preservação de memórias, mas os achados foram obtidos em camundongos e não permitem concluir, neste momento, que o mesmo processo aconteça da mesma forma no cérebro humano. O trabalho, intitulado Artificial hibernation uncovers distinct synaptic engram architecture for memory retention, foi publicado em agosto de 2026 na revista Science.

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