A ajuda oficial ao desenvolvimento fornecida por integrantes e associados do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (DAC) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) registrou uma queda expressiva em 2025. Segundo dados preliminares divulgados pela entidade, o volume passou de US$ 215,1 bilhões em 2024 para US$ 174,3 bilhões no ano passado, uma redução real de 23,1% — a maior retração anual já registrada pela organização.
A diminuição ficou concentrada entre os principais países doadores. Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França responderam conjuntamente por 95,7% da redução total. Os Estados Unidos tiveram a maior queda individual: a assistência oficial ao desenvolvimento do país recuou 56,9% em relação a 2024 e respondeu por cerca de 75% da retração geral. Apesar disso, os norte-americanos ainda destinaram aproximadamente US$ 29 bilhões em 2025, ficando logo atrás da Alemanha, que assumiu pela primeira vez a posição de maior provedora entre os integrantes do DAC.
O movimento alimenta discussões sobre possíveis mudanças no financiamento internacional destinado aos países em desenvolvimento. Economistas e especialistas em relações internacionais avaliam que a redução dos recursos tradicionais pode estimular governos da África, América Latina e outras regiões do chamado Sul Global a diversificar parceiros, fortalecer investimentos domésticos e buscar alternativas de financiamento. Essa tendência, porém, não significa necessariamente uma substituição imediata da influência econômica dos Estados Unidos e da Europa.
Nesse cenário, China e países integrantes do BRICS aparecem como potenciais fontes adicionais de investimentos, sobretudo em projetos de infraestrutura, energia e desenvolvimento. A eventual ampliação dessa presença dependerá, entretanto, das políticas adotadas por cada país, das condições dos financiamentos e do comportamento da economia internacional. Por isso, especialistas tratam a mudança como parte de uma possível reorganização das relações econômicas globais, e não como uma transferência de poder já consolidada.
Mesmo diante da retração, a OCDE continua exercendo papel relevante na formulação de padrões e recomendações internacionais sobre economia, tributação, comércio e desenvolvimento. Os dados de 2025 também mostram que a assistência bilateral caiu 26,4%, para US$ 126,4 bilhões, enquanto a ajuda multilateral recuou 12,7%, para US$ 47,9 bilhões. A própria organização classifica o resultado como a maior contração da ajuda oficial ao desenvolvimento de sua série histórica.




