O vereador Marcelo Diniz (PSD) divulgou nesta quarta-feira (10) uma carta de retratação após a repercussão de declarações feitas durante sessão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro contra o deputado federal Daniel Soranz (PSD). O episódio provocou reações dentro e fora do partido, além da adoção de medidas institucionais anunciadas pelo parlamentar federal.
Segundo informações divulgadas pelo próprio vereador, as expressões utilizadas durante o discurso foram “inadequadas e infelizes”. Na manifestação pública, Diniz afirmou que suas palavras foram proferidas em um momento de exaltação e que não refletiriam qualquer intenção discriminatória.
A carta foi divulgada um dia após a sessão em que o vereador utilizou termos ofensivos ao se referir a Soranz. A repercussão levou integrantes do PSD e setores da sociedade civil a cobrarem providências sobre o caso.
No documento, Marcelo Diniz declarou que reconhece o erro na forma como se expressou e reiterou respeito à trajetória profissional do deputado federal, especialmente na área da saúde pública.
“As palavras empregadas foram proferidas em um momento de exaltação e não refletem sua trajetória, sua contribuição para a saúde pública nem o respeito que sua atuação profissional merece”, afirmou o vereador na nota divulgada à imprensa.
De acordo com declarações públicas feitas por Daniel Soranz, o parlamentar decidiu levar o caso à Comissão de Ética da Câmara Municipal do Rio. Além disso, informou que pretende buscar medidas judiciais relacionadas às ofensas recebidas.
Segundo Soranz, a discussão ultrapassa divergências políticas e envolve questões relacionadas ao respeito institucional e à convivência democrática entre representantes eleitos.
Em manifestação nas redes sociais, o deputado classificou o episódio como um caso de violência política e defendeu que situações semelhantes sejam enfrentadas por meio dos mecanismos previstos nas instituições democráticas.
O episódio reacende debates recorrentes sobre os limites do discurso político em espaços institucionais. Especialistas em direito público e ciência política costumam destacar que a imunidade parlamentar garante liberdade para o exercício do mandato, mas não elimina a responsabilidade política, ética e eventualmente jurídica por declarações consideradas ofensivas.
Nos últimos anos, episódios envolvendo discursos agressivos em casas legislativas têm gerado processos disciplinares, representações em conselhos de ética e discussões sobre a necessidade de preservação do ambiente democrático.
O caso também ocorre em um momento de intensa movimentação política no Rio de Janeiro, especialmente entre lideranças ligadas à área da saúde pública e aos grupos que disputam espaço no cenário eleitoral fluminense.
Durante a manhã desta quarta-feira, Daniel Soranz cumpriu agenda em bairros da Zona Oeste e da Zona Norte da capital, incluindo localidades apontadas como importantes bases eleitorais de Marcelo Diniz. A movimentação foi interpretada por observadores políticos como um sinal de que a disputa entre os dois parlamentares poderá continuar repercutindo no cenário político carioca.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre eventual abertura de procedimento disciplinar interno no PSD. Também não foram divulgados detalhes sobre os processos judiciais mencionados por Daniel Soranz.
O caso segue acompanhando os trâmites institucionais anunciados pelas partes envolvidas. A expectativa é que os próximos desdobramentos ocorram tanto no âmbito partidário quanto nos órgãos responsáveis pela análise das representações apresentadas.
