O presidente Lula determinou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, explique o empréstimo que recebeu da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e investigada pela Polícia Federal. A informação é da Folha de S.Paulo.
Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência há duas semanas para integrar a equipe da campanha de reeleição de Lula. Ele alega que a operação consistiu em um empréstimo pessoal já quitado e nega qualquer ilegalidade.
O caso ganhou repercussão após notícias de que o então assessor havia recebido pagamentos de Roberta. Marcola disse a aliados que tem comprovantes de pagamento capazes de demonstrar a natureza do empréstimo e que usou os recursos para uma questão familiar.
Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que Marcola cometeu um erro, mas não um crime. Aliados de Lula se irritaram com a revelação porque o presidente o havia escalado para a equipe eleitoral e busca evitar desgastes durante a disputa de 2026.
Empresária é investigada em apuração sobre fraudes no INSS
Roberta Luchsinger é sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela declarou à Polícia Federal que apresentou Lulinha ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
A operação apura descontos irregulares em benefícios do INSS que teriam superado R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. A Polícia Federal aponta o Careca do INSS como um dos operadores centrais do esquema e informou ter identificado R$ 1,5 milhão em pagamentos de uma empresa ligada a ele para uma companhia de Roberta.
A defesa de Lulinha afirmou que recebeu com “absoluta tranquilidade” a abertura de três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência. Os advogados disseram que ele demonstrará não ter relação direta ou indireta com irregularidades e pediram providências contra o que classificaram como vazamentos criminosos movidos por interesses políticos.
Marcola trabalhava com Lula havia cerca de sete anos quando o petista venceu as eleições de 2022. Como chefe de gabinete, ele administrava a agenda presidencial e atuava como um dos principais contatos de políticos com o presidente; agora, procura um advogado antes de voltar a se manifestar publicamente sobre o empréstimo.