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As 145 cidades-pêndulo que podem fortalecer Lula em São Paulo

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As 145 cidades-pêndulo que podem fortalecer Lula em São Paulo

Um grupo de 145 municípios que alternou entre candidatos de esquerda e de direita nas últimas seis eleições presidenciais pode ser decisivo para o desempenho de Lula em São Paulo em 2026. As chamadas cidades-pêndulo concentram 13,97 milhões de eleitores, o equivalente a 41% de todo o eleitorado do maior colégio eleitoral do país.

O levantamento é do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), e analisou os resultados dos segundos turnos presidenciais realizados entre 2002 e 2022. Os resultados foram divulgados na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.

A dimensão do desafio para o PT aparece no restante do mapa. A direita tem hegemonia, com vitórias nas seis eleições analisadas, ou dominância, quando venceu a maioria delas, em 480 das 645 cidades paulistas. Esses municípios concentram 19,72 milhões de eleitores, ou 57,8% do eleitorado do estado. O PT apresenta hegemonia ou dominância em somente 20 cidades, que somam 415,5 mil eleitores.

É na região metropolitana, porém, que está concentrada a maior oportunidade para o campo lulista. Apenas 18 dos 145 municípios-pêndulo ficam nessa área, mas eles reúnem 12,85 milhões de eleitores, equivalentes a 92% de todo o eleitorado pendular. A capital, com 9,13 milhões de eleitores aptos, tem de longe o maior peso, seguida por São Bernardo do Campo, Osasco, Diadema e Mauá.

No interior e no litoral, outras 127 cidades alternaram vencedores presidenciais nas últimas décadas, mas juntas somam somente 1,11 milhão de eleitores. Ao mesmo tempo, importantes polos do interior, entre eles Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Bauru, São José do Rio Preto e Piracicaba, aparecem no estudo como áreas de preferência estrutural pela direita.

Segundo o pesquisador Fábio Vasconcellos, responsável pela análise, a direita entra na disputa com uma base eleitoral muito mais consolidada. O estudo aponta ainda uma “dependência crítica” do PT em relação à capital e ao ABC e sustenta que uma perda relevante de terreno nessas regiões dificilmente poderia ser compensada pelo restante do estado.

Nesse cenário, a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista ganha também dimensão nacional. A avaliação de aliados de Lula é que um palanque competitivo no estado pode ajudar o presidente a melhorar seu desempenho justamente onde a direita parte com vantagem histórica. O desafio será transformar as cidades que vêm oscilando entre os dois campos políticos na principal área de recuperação eleitoral do petismo em São Paulo.

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