O presidente Lula cobrou uma atuação mais efetiva do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na crise entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e a Polícia Federal (PF) sobre as investigações de desvios no INSS. O embate envolve inquéritos que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Com informações de Bela Megale do O Globo.
Lula disse a aliados que a atuação de Wellington César estava apagada e pediu um “freio de arrumação” na disputa. Na avaliação do presidente, o governo não ganha com o conflito entre a PF, comandada por Andrei Rodrigues, e um integrante do STF em uma investigação que alcança seu filho.
Wellington César e Mendonça se reuniram nesta quinta-feira (6) para tratar do caso. O advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediou a agenda, que havia sido antecipada pelo site “Metrópoles”.
Os participantes acertaram que o Ministério da Justiça acompanhará os aspectos procedimentais das investigações do INSS e o fluxo de pedidos para tramitação de material. As equipes de Mendonça, da PF e do ministério também devem se reunir para discutir esse fluxo de trabalho.
A crise se intensificou após Mendonça determinar que a PF enviasse diretamente a seu gabinete todos os documentos brutos produzidos na investigação dos desvios no INSS. O ministro também pediu aviso prévio sobre qualquer mudança na equipe de delegados responsável pelo caso.
Andrei Rodrigues e a cúpula da PF entenderam que a medida interfere em atribuições da corporação e defenderam que a Advocacia-Geral da União questione a decisão na Justiça. Para a direção da polícia, Mendonça não deveria assumir funções de investigador.
A PF avalia que o envio de material bruto ao gabinete do ministro pode retirar da corporação e do Ministério Público o controle sobre quem acessa os dados. A preocupação apontada internamente é com uma eventual quebra da cadeia de custódia das provas.
Jorge Messias optou por buscar uma saída administrativa para reduzir a tensão, com a inclusão do Ministério da Justiça nas discussões. A reunião entre as três equipes deverá definir como a PF encaminhará os materiais e os pedidos ligados às investigações do INSS.