A fabricante suíça de chocolates Lindt virou alvo de uma ação nos Estados Unidos por acusações de trabalho infantil em sua cadeia de fornecimento de cacau em Gana e na Costa do Marfim. O processo questiona a imagem de responsabilidade social promovida pela empresa diante dos consumidores.

A ação foi movida pela International Rights Advocates e chegou ao tribunal federal de Washington na terça-feira (21). O grupo acusa a Lindt de divulgar afirmações enganosas ao dizer que combate o trabalho infantil e mantém compromisso com os direitos humanos.

Segundo a denúncia, a companhia sabe há mais de 20 anos que parte do cacau usado em seus produtos é cultivada com trabalho infantil e continua lucrando com a prática. As acusações ainda não foram julgadas.

O processo afirma que a Lindt obtém em Gana todos os grãos de cacau destinados ao consumo direto e compra manteiga de cacau da Costa do Marfim. A organização sustenta que as certificações exibidas nas embalagens passam aos consumidores uma imagem que não corresponderia às práticas da cadeia produtiva.

A Lindt negou as acusações. Um porta-voz afirmou que a empresa condena todas as formas de trabalho infantil, mantém protocolos para fornecedores e investiga sistematicamente os casos suspeitos identificados em sua cadeia.

A companhia também citou seu Plano de Sustentabilidade 2030, que prevê apoio a produtores da África Ocidental e medidas para reduzir riscos de exploração infantil. A Lindt afirma ainda seguir regras da certificação Rainforest Alliance.

A ação não pede indenização financeira. O objetivo declarado é interromper o que a International Rights Advocates classifica como conduta ilegal e enganosa dirigida aos consumidores de Washington.