Incêndios florestais de grandes proporções atingem diferentes regiões do sul da Europa, impulsionados pelas altas temperaturas, pelos ventos e pela seca prolongada. Na Espanha, o governo decretou emergência de alcance nacional diante do avanço das chamas na região de Madri e na província de Ávila.
Mais de 10 mil pessoas precisaram deixar suas casas na região madrilenha, segundo as autoridades locais. Em uma das áreas mais afetadas, 3.500 moradores de Aldea del Fresno, a cerca de 60 quilômetros da capital espanhola, foram evacuados.
O cenário também é grave na França e na Itália, onde equipes de emergência enfrentam incêndios de grandes proporções. Ao menos três bombeiros morreram nos últimos dias durante as operações de combate ao fogo, dois deles em território francês e um na Itália.
Espanha decreta emergência diante do avanço das chamas
O incêndio considerado mais preocupante na Espanha está localizado na província de Guadalajara, aproximadamente 100 quilômetros ao norte de Madri. Desde a última quinta-feira, os focos já destruíram cerca de 32 mil hectares.
Na região próxima a Aldea del Fresno, 18 unidades dos bombeiros atuavam no combate às chamas, com apoio de soldados da Unidade Militar de Emergências (UME). Outros incêndios permanecem ativos na região madrilenha, elevando o número de pessoas retiradas de áreas de risco.
O país enfrenta uma temporada especialmente severa. Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis), mais de 393 mil hectares foram consumidos pelo fogo na Espanha em 2025, no pior balanço registrado na história recente do país.
França pede reforço europeu para combater incêndios
Na França, dois grandes incêndios exigem esforços concentrados das autoridades. Em Le Porge, no sudoeste do país, as chamas atingiram cerca de 4.800 hectares e provocaram mais de 20 mil evacuações em uma região de floresta.
Outro incêndio, iniciado na última terça-feira em uma área rural e posteriormente espalhado pelo departamento de Var, no sudeste francês, já afetou aproximadamente 2.700 hectares. Mais de 300 pessoas foram retiradas preventivamente da área.
Diante da dimensão dos incêndios, a França acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia. O país deverá receber aeronaves e helicópteros de diferentes nações europeias para reforçar as operações de combate ao fogo.
Calor extremo e seca agravam risco de novos incêndios
De acordo com o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, mais de 12.500 incêndios foram registrados no país desde o início do ano, com aproximadamente 44 mil hectares queimados. O número representa um dos piores cenários já registrados para o período.
Na Itália, a situação também é crítica, principalmente na Sicília, onde dezenas de incêndios atingem áreas de vegetação. Cerca de 100 moradores e 22 pacientes de uma clínica precisaram ser evacuados depois que as temperaturas ultrapassaram os 40°C.
As autoridades italianas mobilizaram milhares de agentes e dezenas de meios aéreos para combater as chamas. Na vizinha Calábria, mais de 160 incêndios foram registrados em apenas 24 horas.
O avanço dos incêndios ocorre em um cenário de seca prolongada e ondas de calor excepcionais registradas na Europa nos últimos meses. Segundo climatologistas do grupo World Weather Attribution, as mudanças climáticas associadas à emissão de gases do efeito estufa contribuem para intensificar as condições de calor e estiagem que favorecem a propagação do fogo.