A sessão do Congresso Nacional, prevista para ocorrer na última quinta-feira, foi cancelada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devido à falta de consenso entre os parlamentares. Essa decisão resultou no esvaziamento da agenda legislativa antes do recesso de meio de ano, que terá início na próxima semana e se estenderá até 31 de julho.
Como consequência, várias propostas importantes, incluindo a PEC da Segurança Pública, a PEC que visa abolir a escala 6×1, o projeto de regulamentação da exploração de terras raras e a proposta que permite a utilização de receita extra do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis, permanecerão em estado de repouso.
A escolha do novo ministro para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), após a rejeição do nome de Jorge Messias, também se encontra em impasse.
Esse impasse ocorre em um momento de tensão política entre o presidente Lula e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que não se encontraram desde a votação que barrou a nomeação de Messias. Tentativas de reaproximação fracassaram, e o novo líder do PT no Senado, Camilo Santana, busca articular uma reunião entre Lula e Alcolumbre ainda em julho.
No entanto, mesmo que essa reunião ocorra, aliados avaliam que não haverá tempo suficiente para desbloquear as votações importantes antes do recesso. Durante o período eleitoral, Câmara e Senado devem funcionar apenas em algumas semanas de esforço concentrado, o que reduz ainda mais a possibilidade de avanço de propostas consideradas prioritárias pelo governo e líderes partidários.
Uma negociação que pode avançar é a que envolve a bancada ruralista e o Ministério da Fazenda, com o objetivo de refinanciar dívidas de produtores rurais. O acordo em discussão prevê a edição de uma medida provisória com prazo de dez anos para produtores afetados por eventos climáticos extremos, carência de dois anos e juros de 6%; já os demais casos teriam prazo menor e taxas de 9%.