O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estuda vender participações comerciais da Copa do Mundo a investidores privados, em um grupo que inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o jornal The Times.
A proposta prevê a criação de uma empresa para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. A operação teria como objetivo ampliar as receitas da Fifa e atrair capital privado para as principais competições organizadas pela entidade.
Joshua Kushner aparece como cotado para liderar o grupo de investidores interessado no negócio. A possível entrada dele aproxima a operação do entorno de Trump, que manteve relação pública frequente com Infantino durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
A relação entre o dirigente da Fifa e o presidente dos EUA ganhou visibilidade durante o Mundial e foi acompanhada por polêmicas, entre elas acusações de interferência de Trump para anular a suspensão de um jogador da seleção dos Estados Unidos durante o torneio.
Uefa reage à proposta de nova empresa para a Copa
A iniciativa também aparece ligada ao futuro de Infantino depois de seu mandato atual. O dirigente é favorito para se reeleger em 2027 e poderá assumir o comando da nova empresa quando deixar a presidência da Fifa, em 2031, conforme a apuração do jornal britânico.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (28), a Fifa afirmou que a criação da companhia permitiria distribuir imediatamente US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações nacionais filiadas. A entidade também sustentou que o modelo aumentaria as receitas dessas federações nos próximos anos.
A Uefa reagiu nas redes sociais e afirmou considerar a proposta “extremamente séria”. A entidade que comanda o futebol europeu classificou a ideia como uma linha que “não deve ser ultrapassada”.
“A alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficiará dos ganhos financeiros. O futebol não pertence a ninguém; não cabe à Fifa vendê-lo”, afirmou a Uefa.
Se avançar, o projeto abrirá espaço para investidores privados participarem diretamente da administração de ativos comerciais ligados à Copa do Mundo, uma mudança de grande alcance na estrutura financeira da principal competição do futebol mundial.
UEFA statement on The Times article: ⬇️ pic.twitter.com/ye1tjfWRCb
— UEFA (@UEFA) July 28, 2026