A Assembleia Nacional da Nicarágua adiou para setembro a votação da proposta de reforma constitucional que extingue as eleições competitivas no país. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27) pela vice-presidente Rosario Murillo, mulher do presidente Daniel Ortega, após a forte repercussão internacional provocada pelo projeto.
Segundo Murillo, antes da votação o Parlamento abrirá um processo de consultas com representantes do corpo diplomático e outros setores da sociedade. A proposta estava prevista para ser analisada em agosto.
O texto faz parte de um conjunto de mudanças constitucionais que ampliam os poderes do governo de Ortega, no comando da Nicarágua desde 2007. Entre as alterações, está a substituição do modelo de eleições competitivas por um sistema em que a participação de partidos e candidatos ficará sujeita a critérios estabelecidos pelo próprio regime.
O adiamento ocorre após críticas de governos estrangeiros e de organismos internacionais, que apontaram risco de aprofundamento da crise democrática no país. Nos últimos anos, a gestão de Ortega tem sido alvo de denúncias por repressão a opositores, restrições à liberdade de imprensa e perseguição a organizações da sociedade civil.
Apesar do recuo no calendário, o governo nicaraguense não indicou mudanças no conteúdo da proposta, apenas informou que pretende realizar consultas antes da nova votação prevista para setembro.