O grupo militante Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para encerrar , após semanas de negociações mediadas por representantes internacionais no Egito. Segundo integrantes do alto escalão do grupo palestino, o entendimento prevê o desarmamento da organização, a retirada gradual das tropas israelenses do território e a instalação de uma administração civil de transição para governar Gaza.
A confirmação foi feita por duas s da cúpula do Hamas à agência AFP, sob condição de anonimato. Apesar do anúncio, o governo de Israel ainda não confirmou oficialmente a aceitação dos termos apresentados, o que mantém incertezas sobre a implementação do acordo.
Na quinta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia antecipado a existência do entendimento ao classificá-lo, em sua rede social Truth Social, como “um acordo HISTÓRICO” e “um passo monumental rumo a uma PAZ e SEGURANÇA duradouras”.
Caso seja efetivamente colocado em prática, o acordo poderá representar o avanço mais significativo desde o início da guerra, desencadeada após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023.
Hamas aceita entregar armas
Um dos principais negociadores do Hamas, Ghazi Hamad, afirmou que a organização decidiu aceitar concessões para tentar colocar fim ao conflito e aliviar a crise humanitária enfrentada pela população de Gaza.
“O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento. Israel não vai interferir na questão do desarmamento”, declarou Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento.
Segundo Hamad, a fiscalização da entrega do arsenal ficará sob responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), organismo formado por tecnocratas palestinos que deverá assumir gradualmente a administração civil do território durante o período de transição.
De acordo com uma diplomática que acompanha as negociações, as armas serão entregues diretamente ao NCAG, que ficará encarregado de administrar os serviços públicos e a rotina da população enquanto um novo governo palestino é estruturado.
As s ouvidas pela AFP afirmaram ainda que esperam que os mediadores internacionais e o Conselho da Paz acompanhem todas as etapas do processo e garantam que os compromissos assumidos pelas duas partes sejam cumpridos.
Israel ainda não confirmou entendimento
Embora o Hamas tenha anunciado a aceitação do acordo, Israel ainda não se manifestou oficialmente sobre os termos divulgados.
Uma política israelense ouvida pela AFP afirmou que a proposta apresentada não atende de maneira satisfatória à principal exigência do governo israelense: a desmilitarização completa da Faixa de Gaza.
Segundo essa , o tema também não teria sido discutido durante o encontro realizado nesta semana entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Donald Trump, na Casa Branca.
Antes das negociações avançarem, Israel defendia que qualquer solução definitiva para o conflito deveria incluir o desarmamento integral do Hamas e de outros grupos armados palestinos que atuam na região.
Implementação dependerá de força internacional
O Conselho da Paz confirmou, por meio de uma publicação na rede social X, que o Hamas aceitou “um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.
“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.
Segundo Donald Trump, após a entrega das armas pelo Hamas, as tropas israelenses iniciarão a retirada do território.
“Uma vez que o Hamas estiver desarmado, as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”, afirmou o presidente estadunidense.
A Força Internacional de Estabilização, atualmente em fase de formação, deverá reunir militares de diferentes países sob coordenação do Conselho da Paz para acompanhar a implementação do acordo e oferecer garantias de segurança durante a transição.
Uma diplomática informou que a supervisão do desarmamento será realizada em conjunto entre essa força multinacional e o governo interino do NCAG. Atualmente, o órgão funciona no Egito, já que seus integrantes ainda não receberam autorização de Israel para ingressar em Gaza.
Conflito já deixou dezenas de milhares de mortos
As negociações representam uma tentativa de consolidar a segunda fase do acordo de cessar-fogo firmado anteriormente entre Israel e Hamas.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando combatentes do Hamas realizaram um ataque contra Israel que, segundo dados oficiais israelenses, matou 1.221 pessoas e resultou no sequestro de 251 reféns.
Em resposta, Israel iniciou uma ampla ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. Segundo o Ministério da Saúde do governo administrado pelo Hamas, mais de 73 mil pessoas morreram desde o início da operação militar israelense.
Mesmo durante o período de trégua, os confrontos não cessaram completamente. Na quinta-feira, bombardeios israelenses deixaram pelo menos quatro mortos, entre eles duas crianças, segundo autoridades de saúde da Faixa de Gaza.
No início de julho, o Hamas já havia anunciado a dissolução do comitê responsável pela administração civil de Gaza desde 2007, sinalizando disposição para transferir essas funções ao NCAG como parte das negociações que agora podem abrir caminho para uma nova etapa política no território.