O fornecimento de energia elétrica ainda não foi normalizado para mais de 120 mil imóveis no estado do Rio, mais de 30h após o vendaval que atingiu a o estado na última quarta-feira (29). A demora provocou uma série de protestos em bairros da capital, da Baixada Fluminense e de Niterói.
De acordo com as concessionárias responsáveis pelo serviço, cerca de 124 mil clientes da Light permaneciam sem energia na manhã desta sexta-feira (31). Já a Enel Rio informou ter restabelecido o fornecimento para 98% dos consumidores afetados em sua área de concessão.
Segundo a Light, o vendaval provocou a queda de aproximadamente 220 árvores na cidade do Rio, muitas delas sobre a rede elétrica, causando desligamentos e danos em diferentes regiões. As equipes seguem concentradas principalmente na Zona Oeste da capital e na Baixada Fluminense.
Bairros mais afetados
Os bairros mais afetados na cidade do Rio são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes. Na Baixada, os maiores impactos permanecem em Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
A Enel informou que a região Sul Fluminense concentrou os maiores danos em sua área de atuação, sobretudo nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba. A distribuidora afirmou que dezenas de árvores caíram sobre ruas e rodovias, atingindo a rede elétrica e dificultando o acesso das equipes aos locais de manutenção.
A empresa disse ainda que triplicou o efetivo em campo, intensificou manobras remotas para acelerar o restabelecimento do serviço e mobilizou reforço de veículos, equipamentos e técnicos, que também atuam na remoção de árvores e na liberação de vias interditadas.
Protestos se espalham por diferentes cidades
A demora no restabelecimento da energia levou moradores a protestarem em diferentes pontos do estado.
Na comunidade Bela Vista, na Taquara, moradores incendiaram lixo e bloquearam ruas. Em Sepetiba, um ônibus foi depredado e ficou atravessado na pista, enquanto barricadas com lixo em chamas também foram montadas.
As manifestações ocorreram também em Santa Cruz , na Zona Oeste, e Jacarepaguá, na Zona Sudoeste, com bloqueios de vias, pneus incendiados e reflexos no trânsito e no transporte público.
Em Campo Grande, houve tentativa de interdição da Estrada do Monteiro, impedida por policiais da Cavalaria. Em outro trecho do bairro, moradores queimaram barricadas e motociclistas fizeram buzinaços para chamar atenção para a falta de energia. Também houve manifestação na Estrada do Capenha.
Na Baixada Fluminense, protestos foram registrados na Avenida Kennedy, no Parque Boa Vista, em Duque de Caxias. Em Nova Iguaçu, moradores fecharam vias nos bairros Jardim Corumbá e Cabuçu, onde parte da população entrou no terceiro dia consecutivo sem energia. Em Queimados, moradores do bairro São Jorge também realizaram manifestações.
Em Niterói, moradores protestaram em diferentes bairros. Na Atalaia, a Rua Alarico de Souza foi fechada nos dois sentidos. Já em São Francisco, moradores da Grota incendiaram objetos e bloquearam a descida da Cachoeira durante a noite. No Caramujo, manifestantes também queimaram materiais e interromperam o trânsito. A Polícia Militar acompanhou as ocorrências.
Consumidores podem pedir indenização
A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ orientaram os consumidores prejudicados pela interrupção do fornecimento de energia a solicitar ressarcimento às concessionárias, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor e a regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A recomendação é reunir documentos que comprovem os prejuízos, como fotografias, vídeos, notas fiscais, laudos técnicos e protocolos de atendimento, antes de registrar o pedido junto à distribuidora responsável.
Nos casos de eletrodomésticos danificados por queda ou oscilação de energia, o consumidor deve informar a data e o horário aproximado da ocorrência, além de identificar o equipamento atingido, indicando marca, modelo e tempo de uso, sempre que possível.
Os órgãos também orientam que o aparelho não seja descartado nem consertado antes da análise da concessionária, salvo em situações autorizadas ou de necessidade comprovada.
Pelas normas da Aneel, o ressarcimento pode ocorrer por meio do reparo do equipamento, substituição por outro equivalente ou pagamento de indenização em dinheiro.
O prazo para solicitar o ressarcimento é de até cinco anos. Após a abertura do pedido, a distribuidora deve realizar a vistoria em até um dia útil quando se tratar de equipamentos destinados à conservação de alimentos ou medicamentos, como geladeiras e freezers. Para os demais aparelhos, o prazo é de até dez dias úteis.
Vendaval deixou três mortos
O vendaval que atingiu Rio na tarde de quarta-feira (29) deixou um cenário de destruição. Considerado um evento extremo por autoridades municipais, o fenômeno registrou rajadas superiores a 100 km/h, provocou três mortes, derrubou dezenas de árvores, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de consumidores e afetou praticamente todos os modais de transporte da capital.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet) mostram que a maior rajada aconteceu no Aeroporto Internacional do Galeão, onde o vento atingiu 105,6 km/h. Também houve registros de 95,4 km/h na Marambaia, 90 km/h em Seropédica, 88,6 km/h em Paraty, 87,5 km/h na Vila Militar e 82 km/h em Jacarepaguá.
Ao Bom Dia Rio, Eduardo Cavaliere afirmou que a intensidade do fenômeno superou as previsões meteorológicas disponíveis.
“A cidade do Rio de Janeiro tem cerca de 11 estações que medem esse vento, três municipais, três do Instituto Nacional de Meteorologia e outras cinco relacionadas aos aeroportos. E de fato, ontem, o aviso que foi feito no início da tarde era um aviso de ventos muito menos intensos do que acabaram acontecendo, então realmente foi um evento extremo relacionado a esse super El Niño, mais intenso do que estava previsto pelas estações”, alegou.
O fenômeno ocorre quando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico ultrapassa 2°C, potencializando eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há previsão de fortalecimento do evento ao longo do segundo semestre, com pico entre novembro e fevereiro.