O governo brasileiro cobrou nesta quinta-feira (23) que as autoridades da Nicarágua garantam eleições livres após Daniel Ortega afirmar que o país não voltará a realizar votações. A declaração do líder nicaraguense foi feita no domingo (19), durante um ato pelos 47 anos da Revolução Sandinista.

“O governo brasileiro recebeu com preocupação a declaração do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, durante ato alusivo ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, de que em seu país ‘não voltará a haver eleições’”, afirmou o Itamaraty em nota.

O comunicado declarou que eleições “livres, periódicas, plurais e transparentes” são um dos pilares da democracia. O Brasil conclamou o governo nicaraguense a assegurar à população o direito de escolher seus governantes.

Ortega afirmou que o fim das eleições impediria a oposição de voltar ao poder. Ele governa a Nicarágua de forma ininterrupta desde 2007 e divide formalmente o comando do país com a esposa, Rosario Murillo, nomeada copresidente após uma reforma constitucional que ampliou os poderes do Executivo.

A posição atual contrasta com uma nota divulgada pela Secretaria de Relações Internacionais do PT após a eleição nicaraguense de 2021. O texto saudava a vitória de Ortega, mas foi desautorizado pela direção do partido e retirado do site após a repercussão negativa.

A votação de 2021 ocorreu depois da prisão de candidatos da oposição e foi considerada ilegítima por Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Costa Rica. A manifestação desta quinta-feira representa uma cobrança direta do governo Lula pelo restabelecimento do direito ao voto no país.