O governo federal lançou uma nova rodada do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos e pelas incertezas do cenário internacional. Do total, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES.
O pacote de R$ 18,5 bilhões foi anunciado nesta quarta-feira, 22 de julho, mesmo dia em que entrou em vigor a nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida norte-americana atinge cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para o mercado dos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 5,8 bilhões com base nos valores de 2025.
Além das empresas diretamente prejudicadas pelo tarifaço, o programa também poderá atender companhias afetadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que mantêm negócios com países do Golfo Pérsico. Setores considerados estratégicos para a economia brasileira também estão incluídos.
Plano prevê juros subsidiados e apoio a investimentos
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, compra de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e abertura de novos mercados.
As taxas de juros serão subsidiadas e variarão conforme a finalidade e o setor beneficiado. Para minerais críticos, por exemplo, a taxa prevista é de 3% ao ano. Já o para capital de giro de grandes empresas poderá chegar a 9,80% ao ano.
O governo também prevê um seguro garantia destinado a pequenas empresas. A regulamentação das linhas deverá estabelecer critérios específicos para cada setor, incluindo possíveis contrapartidas relacionadas à manutenção de empregos durante o período de contratação do financiamento.
Durante a cerimônia de lançamento do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil continuará buscando uma solução por meio do diálogo com o governo norte-americano.
Lula criticou a decisão considerada abrupta e disse acreditar que o país pode sair fortalecido diante da crise comercial. O presidente também destacou que o programa foi estruturado para garantir condições de apoio às empresas e preservar a capacidade de crescimento da economia brasileira.
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que o governo não pretende abandonar as negociações. Segundo ele, a estratégia inclui apoio às empresas afetadas e a busca por novos mercados para os produtos brasileiros.
Governo estima até 1,4 mil empresas interessadas
De acordo com o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, entre mil e 1,4 mil empresas podem buscar recursos do Brasil Soberano 3. O universo considerado pelo governo é de aproximadamente 2,4 mil companhias brasileiras que exportam para os Estados Unidos.
Entre os segmentos apontados como mais prejudicados estão madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
O governo também trabalha com a possibilidade de novas tarifas norte-americanas relacionadas a uma investigação sobre a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. A expectativa é que uma eventual nova cobrança possa atingir diversos países, incluindo o Brasil.
Programa já teve outras duas versões
O Brasil Soberano 3 representa a terceira etapa de uma estratégia criada pelo governo federal para enfrentar os efeitos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
A primeira versão, lançada em agosto de 2025, contou com R$ 30 bilhões em para exportadores afetados. No início de 2026, o programa recebeu uma ampliação de R$ 15 bilhões.
Em março deste ano, o governo apresentou o Brasil Soberano 2, com uma linha de R$ 21 bilhões. Agora, a terceira fase chega com R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro e R$ 5 bilhões do BNDES.
O governo avalia ainda novas medidas para reduzir os impactos sobre o setor produtivo, enquanto mantém as negociações comerciais com os Estados Unidos e analisa a possibilidade de retomar consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC).