O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu que só participará de debates presidenciais que tenham a presença confirmada do presidente Lula (PT). A regra adotada pelo núcleo duro de sua campanha coloca em dúvida a ida do pré-candidato do PL ao debate da TV Band, marcado para 23 de agosto.
A emissora ainda aguarda a confirmação dos dois principais nomes da disputa. As campanhas de Flávio e Lula participaram de reuniões preparatórias e concordaram com as regras do encontro, mas a presença do presidente não está definida.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu que Flávio concentre os confrontos em Lula. “Alguém tem dúvida nesse Brasil de que no segundo turno vão estar o Flávio e o Lula? Então por que que você vai debater, sem querer tirar o valor do [Ronaldo] Caiado e do [Romeu] Zema, mas por que você vai debater com candidatos que têm 4%, 5%?”, afirmou.
Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24), Lula teve 40% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, enquanto Flávio marcou 32%. Ronaldo Caiado (PSD) apareceu com 4%, Renan Santos (Missão) teve 3% e Romeu Zema (Novo) registrou 3%.
Campanha quer evitar confronto com candidatos de direita
A estratégia considera a existência de várias candidaturas de direita no primeiro turno e a expectativa de que Lula e Flávio disputem a segunda etapa da eleição. Valdemar disse que um debate sem Lula poderia ampliar a visibilidade de adversários com menor intenção de voto.
“Não tem sentido um debate só para fazer os outros crescerem. O camarada que tem 4%, 5%, só pode crescer, não vai diminuir”, declarou o dirigente do PL. Outro integrante do núcleo da campanha afirmou que os demais concorrentes buscam “lambiscar voto” de Flávio.
A equipe também avaliou que Caiado, Zema e Renan não oferecem um perfil capaz de ajudar Flávio a dialogar com o eleitor indeciso. Um recorte da pesquisa Genial/Quaest apontou que esse grupo é majoritariamente formado por mulheres, moradores do Sudeste, católicos, pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos e eleitores independentes.
Há aliados que discordam da ausência nos debates e defendem que Flávio amplie sua exposição pública. “Flávio tem que explicar muita coisa, tem que construir uma imagem”, disse um aliado, em referência a temas que a campanha de Lula deve explorar, como as investigações sobre o Banco Master e o caso das rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.