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Flávio Bolsonaro culpa caciques do Centrão por chapa sem vice mulher

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Flávio Bolsonaro culpa caciques do Centrão por chapa sem vice mulher

Um dia depois de definir o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu às cúpulas dos partidos que não aderiram à sua candidatura a responsabilidade pelo fracasso da tentativa de formar uma chapa com uma mulher.

Em entrevista ao podcast Market Makers nesta quinta-feira (6), Flávio afirmou que as mulheres procuradas ou consideradas durante as negociações permaneceram próximas de sua campanha. Segundo ele, o obstáculo para a formação das alianças veio das direções das legendas.

— Todas as mulheres que foram cogitadas para serem minha vice estão do meu lado. Sem exceção. Todas elas estão participando de alguma forma dessa pré-campanha, colaborando com ideias e dando opiniões. Estou ouvindo todo mundo. Os principais quadros de todos os partidos vieram para nós. Não apenas quem estava sendo cogitado para vice. Quem não veio foram os caciques, os partidos — declarou.

A busca por uma mulher para ocupar a vice tinha dois objetivos políticos. Além de tentar ampliar a interlocução de Flávio com o eleitorado feminino, a campanha pretendia incorporar outra legenda à chapa, aumentando o tempo disponível na propaganda eleitoral e a estrutura partidária da candidatura pelo país.

Nenhuma das duas estratégias se concretizou. Sem conseguir fechar acordo com os partidos procurados, Flávio acabou recorrendo ao próprio PL e escolheu Alfredo Gaspar.

Flávio admite impacto das alianças

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro reconheceu que a entrada de outras siglas teria consequências práticas importantes para sua campanha, sobretudo no horário eleitoral gratuito e na estrutura política disponível nos estados.

O senador, no entanto, evitou classificar a falta de apoio como traição.

— Não digo que fui traído. Acho que cada um tem seus motivos. Claro que queria que tivesse esses partidos na minha chapa, me daria mais tempo de televisão e mais capilaridade, mas o importante é que os principais quadros estão com a gente.

A declaração expõe uma das dificuldades enfrentadas pelo candidato do PL na montagem da chapa. Embora tenha buscado ampliar formalmente sua base partidária, Flávio não conseguiu convencer as direções das principais legendas procuradas a embarcar em sua candidatura.

Tereza Cristina e Daniella Marques estavam no radar

A primeira opção considerada pela campanha foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A parlamentar demonstrou disposição para integrar a chapa, mas a direção do PP optou pela neutralidade na corrida presidencial depois de consultar seus diretórios estaduais.

Com a resistência interna, o partido não autorizou a composição com Flávio.

A campanha passou então a investir na economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e filiada ao Republicanos. Ela também admitiu a possibilidade de integrar a chapa, mas o Republicanos não transformou a disposição individual da economista em apoio formal ao candidato do PL.

Flávio contou que chegou a sugerir que Daniella trocasse de partido para facilitar a composição.

— Eu sempre falei da minha preferência por ter uma vice mulher, não só por ser mulher. Dani era uma. Ela escolheu o Republicanos e eu disse para ela se filiar ao PL — afirmou.

O coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), confirmou que as negociações estavam concentradas principalmente na Federação União Progressista e no Republicanos.

— Nós tentamos atrair partidos, notadamente a Federação União Brasil e Progressistas e o Republicanos. Infelizmente não tivemos êxito — disse.

Alfredo Gaspar vira solução dentro do PL

Com as negociações externas frustradas, a campanha passou a procurar uma alternativa dentro do próprio partido.

Segundo Flávio, nomes femininos do PL chegaram a ser avaliados. Entre eles estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as deputadas federais Júlia Zanatta e Bia Kicis. O senador argumentou, porém, que essas lideranças já estavam comprometidas com outros projetos eleitorais.

Foi nesse cenário que ganhou força o nome de Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas.

— Dentro do PL temos grandes quadros, a própria Michelle, Júlia Zanatta, Bia Kicis, tinham grandes nomes, mas todo mundo já decidida a concorrer a alguma coisa. Foi quando veio a possibilidade do Alfredo Gaspar. Também é uma pessoa com requisitos extraordinários.

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