Pular para o conteúdo

Excesso de energia leva ONS a cortar geração solar e eólica no Brasil

excesso-de-energia-leva-ons-a-cortar-geracao-solar-e-eolica-no-brasil
Excesso de energia leva ONS a cortar geração solar e eólica no Brasil

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou em 7 de junho um plano emergencial para reduzir a entrada de eletricidade na rede, diante da oferta excessiva e de um consumo menor no país. A medida atingiu principalmente parques solares e eólicos e marcou a primeira aplicação do mecanismo aprovado em novembro para lidar com a sobra de geração. Com informações de g1.

O ONS classificou a ação como excepcional e necessária para controlar a frequência do Sistema Interligado Nacional (SIN). Naquele domingo, o feriado prolongado de Corpus Christi e as temperaturas baixas reduziram a demanda, enquanto a geração permaneceu elevada; cortes também ocorreram em dias de jogos do Brasil na Copa.

O procedimento é conhecido como curtailment, termo usado para o corte ou a redução compulsória da produção de eletricidade. O sistema precisa manter equilíbrio permanente entre a energia ofertada e a consumida, condição que se tornou mais difícil com a expansão de s que não respondem a um comando centralizado.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que 4,5 milhões dos cerca de 90 milhões de consumidores do país também produzem energia em sistemas de micro e minigeração, sobretudo com painéis solares. Esse grupo reúne 3,6 milhões de unidades residenciais e 400 mil comerciais, além de instalações rurais, de serviços públicos e do poder público.

Geração distribuída desafia o controle do sistema

A potência instalada da geração distribuída alcança 50 gigawatts, o equivalente a aproximadamente 20% da capacidade total do país. Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getulio Vargas, afirma que o volume é expressivo e pode estar subestimado.

Para a pesquisadora, a subnotificação pode chegar a 15 gigawatts, ou 30% do total estimado. Ela chama essas estruturas não declaradas de “instalações à revelia” e alerta que a prática mascara consumidores que deveriam se enquadrar como geradores de maior porte.

Usinas hidrelétricas, termelétricas, nucleares e grandes parques renováveis seguem comandos do ONS, mas a geração distribuída depende das concessionárias para sair da rede quando há necessidade. “Esse volume tornou-se muito importante, e se o ONS limitar-se a desligar os recursos sob seu controle, a redução de oferta não será suficiente para fazer frente à redução de consumo”, disse Dutra.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, atribui parte do problema ao avanço da chamada “energia de telhado”. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica contestou a leitura de que a geração distribuída explica sozinha a crise e cobrou investimentos em armazenamento, modernização das redes, flexibilidade operacional e gestão da demanda.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde Castro, relaciona a sobra de eletricidade aos subsídios públicos concedidos às s renováveis. Segundo ele, a capacidade instalada de geração já supera em mais de duas vezes a demanda média, cenário que o planejamento do ONS prevê para os próximos anos.

Apesar da sobra de energia, a tarifa residencial acumulou alta de 8,79% em 12 meses até junho, ante inflação geral de 4,64%, conforme o IBGE. A economista Elena Landau citou levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia segundo o qual medidas aprovadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar quase R$ 985 bilhões às contas de luz até 2050.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.