Representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito entregaram, em Washington, uma carta a parlamentares dos Estados Unidos com um alerta sobre possíveis pressões externas nas eleições presidenciais brasileiras de outubro. O grupo pediu que autoridades americanas se abstenham de intervenções no processo eleitoral do país, segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo.
A delegação levou o documento aos gabinetes dos senadores Raphael Warnock e Adam Schiff e da deputada Hillary Scholten. Os três parlamentares mantêm atuação ligada a comunidades religiosas ou ao debate sobre instituições democráticas.
A carta cita reportagens sobre um plano da gestão de Donald Trump para enviar funcionários a Brasília a fim de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Os signatários manifestaram preocupação com qualquer ação que fragilize a independência das instituições do país.
A Frente solicitou a abertura de um canal permanente de diálogo com os parlamentares americanos e cooperação para fortalecer a autonomia institucional brasileira. O documento também defende que os Estados Unidos não intervenham nas eleições.
Tarifas e apoio evangélico a Flávio Bolsonaro entram na carta
O grupo detonou as medidas tarifárias dos Estados Unidos que afetam exportações brasileiras. Na avaliação dos evangélicos, decisões comerciais devem seguir critérios econômicos e técnicos, sem influência de disputas políticas internas no Brasil.
Os signatários também afirmaram que líderes evangélicos que apoiam publicamente o senador Flávio Bolsonaro não representam toda a comunidade evangélica brasileira. A carta destaca a diversidade de posições políticas entre os fiéis.
Raphael Warnock é pastor titular da Ebenezer Baptist Church, em Atlanta, congregação frequentada por Martin Luther King Jr. Adam Schiff, judeu, presidiu o Comitê de Inteligência da Câmara e tem trajetória ligada à política externa e à defesa das instituições democráticas.
Hillary Scholten trabalhou como auxiliar na LaGrave Avenue Christian Reformed Church, em Grand Rapids. Criada em 2016, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito definiu o Brasil como a maior democracia da América do Sul e apontou a necessidade de proteger o processo eleitoral de pressões externas.