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Como guerra contra o Irã expõe vulnerabilidade dos EUA

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Como guerra contra o Irã expõe vulnerabilidade dos EUA

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã reduziu os estoques de munições estratégicas do país e expôs dificuldades do Pentágono para repor armamentos em ritmo compatível com conflitos de alta intensidade. A pressão sobre os arsenais também afeta os cálculos militares americanos diante de adversários como China e Rússia.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, pediu ao Congresso um orçamento recorde de US$ 1,5 trilhão para o Pentágono em 2027. Na audiência no Senado, ele evitou perguntas sobre o consumo de armamentos na guerra iraniana e sobre a demora para reconstruir os estoques.

Benjamin Freeman, diretor do programa de Democratização da Política Externa do Instituto Quincy, afirmou que os gastos militares americanos já superam a soma dos orçamentos dos oito países seguintes no ranking mundial. “O problema é que os planejadores militares não têm aplicado esses recursos de forma adequada em iniciativas que realmente contribuam para a segurança dos EUA e de aliados”, disse.

Após o fim da Guerra Fria, Washington passou a estruturar suas forças para operações menores contra governos hostis e milícias, em vez de um confronto prolongado com outra superpotência. Essa mudança reduziu encomendas, estoques e linhas de produção na indústria de defesa.

Produção de mísseis não acompanha consumo em guerras prolongadas

O coronel da reserva Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, avaliou que a indústria passou a trabalhar com ciclos voltados a guerras limitadas. “A indústria passou a operar com encomendas menores e ciclos de produção adequados a guerras limitadas, e não a conflitos prolongados e de alto consumo de munições”, explicou ao jornal O Globo.

A anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, e a invasão da Ucrânia em 2022 recolocaram a guerra convencional no planejamento ocidental. O apoio da Otan a Kiev criou um impasse: fornecer armas aos ucranianos sem comprometer a capacidade defensiva dos próprios países integrantes da aliança.

Freeman afirmou que a indústria americana não consegue elevar rapidamente a produção de munições para compensar o ritmo de uso nos conflitos atuais. A expansão exige novas instalações, equipamentos, mão de obra especializada e uma cadeia de fornecedores capaz de atender a pedidos maiores.

O Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais estimou que os estoques americanos de interceptadores Patriot caíram de 2.330 unidades antes da guerra para entre 759 e 827 em 27 de julho. A instituição projeta que o arsenal só voltará ao nível anterior em meados de 2029, enquanto a reposição de mísseis Tomahawk pode levar até cinco anos.

O uso de drones pelo Irã também evidenciou uma fragilidade apontada por relatório de 2025 do Centro para uma Nova Segurança Americana. O estudo alertou que forças americanas usam “mísseis multimilionários” para derrubar aeronaves não tripuladas que custam menos que um carro e podem ser lançadas em centenas ao mesmo tempo.

Donald Trump negou que os arsenais estejam debilitados e ameaçou prender responsáveis por vazamentos sobre o tema. A imprensa americana apontou, porém, que a escassez de armamentos pesou na decisão de não retomar uma guerra total contra o Irã.

Paulo Filho afirmou que seria exagero classificar os EUA como militarmente vulneráveis diante da China, mas disse que a queda dos estoques cria uma limitação concreta. O relatório do Centro para uma Nova Segurança Americana prevê que o Exército de Libertação Popular chinês terá “a maior e mais avançada força de drones do mundo”.

Ao defender o novo orçamento, Hegseth pediu recursos para inteligência artificial, guerra espacial, drones e ampliação da produção industrial. Ele afirmou que, sem as verbas, os EUA enfrentarão “deficiências críticas” para reabastecer rapidamente equipamentos e munições e manter operações militares.

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