Pular para o conteúdo

Estadão diz que PCC se infiltrou na PM de São Paulo, mas consegue não citar Tarcísio

estadao-diz-que-pcc-se-infiltrou-na-pm-de-sao-paulo,-mas-consegue-nao-citar-tarcisio
Estadão diz que PCC se infiltrou na PM de São Paulo, mas consegue não citar Tarcísio

O Estadão publicou um editorial sobre as revelações da Operação Janus, que aponta uma relação estreita entre integrantes da cúpula da Polícia Militar de São Paulo e membros do PCC. O jornal descreve um cenário alarmante de infiltração da facção criminosa na estrutura do Estado, fala em corrupção nos mais altos escalões da corporação e afirma que nenhuma política de segurança pública sobrevive a esse tipo de contaminação.

Há apenas um detalhe curioso: em nenhum momento o editorial cita o comandante da Polícia Militar paulista, o governador Tarcísio de Freitas.

A Operação Janus, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, revelou indícios de vínculos entre operadores financeiros do PCC e os coronéis Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM e da Rota. As investigações apontam mensagens sobre pagamentos destinados à polícia, planilhas de propina e até um grupo de WhatsApp que reuniria integrantes da facção e oficiais da corporação.

O próprio Estadão afirma que a revelação mais perturbadora da investigação não está nas ruas, mas “dentro do Estado”, especificamente na cúpula da Polícia Militar. Também sustenta que organizações mafiosas só alcançam esse nível de poder quando encontram espaço dentro do aparato estatal e que basta um oficial corrompido para comprometer o trabalho de milhares de policiais honestos.

Apesar da gravidade do diagnóstico, o editorial evita mencionar quem chefia o Executivo estadual e responde politicamente pela PM. A corporação é subordinada ao governo de São Paulo, e seu comandante-geral é nomeado pelo governador. Ainda assim, Tarcísio simplesmente desaparece do texto.

Ao longo do editorial, o jornal cobra transparência, rigor e uma ampla depuração dos quadros da Polícia Militar, elogia o trabalho do Ministério Público e dos policiais envolvidos na investigação e alerta para o avanço do PCC sobre as instituições públicas. Mas a responsabilidade política pela condução da segurança pública paulista permanece ausente.

O editorial descreve um problema estrutural na principal força policial do estado, fala em corrupção no topo da hierarquia e em infiltração do crime organizado dentro do aparelho estatal, mas evita citar justamente a autoridade que comanda a administração responsável pela corporação.

No fim, o Estadão reconhece a gravidade da infiltração do PCC na PM de São Paulo — e consegue a proeza de tratar do assunto sem mencionar o nome de Tarcísio de Freitas uma única vez.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.