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Esquerda critica Green Card de Eduardo Bolsonaro nos EUA; ex-deputado nega gesto político

A concessão do Green Card a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou reação de políticos de esquerda nesta segunda-feira (20). O documento permite que o ex-deputado federal resida nos Estados Unidos por tempo indeterminado e tenha maior liberdade para trabalhar e estudar no país.

As críticas ocorreram em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcado por novas tarifas anunciadas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O episódio também foi acompanhado de declarações de autoridades norte-americanas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) associou a situação de Eduardo Bolsonaro às medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano. Já o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, classificou o visto permanente como um suposto “pagamento norte-americano pela traição”.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também criticou a concessão e afirmou que o documento representaria um “prêmio de quem se vende e tenta prejudicar o próprio país”. As declarações refletem a avaliação de setores da esquerda sobre a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro nega motivação política

Após receber o Green Card, Eduardo Bolsonaro afirmou que o processo não teve relação com articulações políticas entre os governos brasileiro e norte-americano. Segundo o ex-deputado, a solicitação foi feita diretamente dos Estados Unidos e seguiu os procedimentos burocráticos exigidos pelas autoridades de imigração.

“Não vejo como um processo político. Foi um processo burocrático que fiz daqui do Texas mesmo, não passou por Washington”, declarou Eduardo à coluna da jornalista Bela Megale.

Questionado sobre a possibilidade de o governo Trump ter utilizado a concessão do documento como uma forma de apoio político durante o período eleitoral, Eduardo rejeitou a hipótese. Para ele, caso existisse uma intenção política, a administração norte-americana teria encontrado outras oportunidades para demonstrá-la.

Ex-deputado diz que documento aumenta segurança

Eduardo Bolsonaro informou que recebeu o Green Card na categoria EB1-A, destinada a estrangeiros considerados portadores de habilidades extraordinárias em determinadas áreas. De acordo com ele, o processo exige o cumprimento de critérios específicos e incluiu referências a sua atuação política e a publicações da imprensa internacional.

O ex-deputado afirmou ainda que a residência permanente representa uma “segurança maior” para sua permanência nos Estados Unidos. Ele citou o episódio envolvendo o também ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi detido em Orlando pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA e posteriormente liberado.

Eduardo também disse que já possuía autorização para trabalhar nos Estados Unidos antes da concessão do Green Card, mas ainda enfrentava procedimentos de controle migratório durante viagens de saída e retorno ao país.

Eduardo diz que se sente seguro nos Estados Unidos

Em outra declaração, Eduardo Bolsonaro afirmou que agradece ao governo Trump pela concessão do documento e disse que se sente seguro nos Estados Unidos. O ex-parlamentar sustenta que deixou o Brasil após alegar perseguição por parte do Judiciário.

A permanência de Eduardo no exterior ocorre desde fevereiro de 2025. Inicialmente, ele entrou nos Estados Unidos com visto de turista e, posteriormente, passou a buscar alternativas para permanecer legalmente no país.

A situação migratória do ex-deputado ganhou ainda mais atenção após sua condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo recebeu pena de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de multa de 100 salários mínimos. O colegiado também determinou sua inelegibilidade por oito anos a partir do término do cumprimento da pena.

Com o Green Card, Eduardo Bolsonaro passa a ter autorização de residência permanente nos Estados Unidos. A concessão do documento, entretanto, abriu uma nova frente de disputa política no Brasil, com críticas de integrantes da esquerda e a defesa do ex-deputado de que sua obtenção ocorreu exclusivamente por meio de um processo burocrático de imigração.

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