Valdemar Costa Neto, presidente do PL, virou alvo de irritação entre dirigentes partidários após afirmar à GloboNews que é “normal” presidentes de partidos atuarem na destinação de emendas parlamentares.
A fala levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedir que dirigentes partidários esclareçam se participam da indicação de emendas. Para esses líderes, Valdemar ampliou uma questão que antes estava restrita à situação dele.
Bloqueio de bens e reação no STF
Valdemar teve R$ 119 milhões em bens bloqueados por suspeita de gerenciar emendas mesmo sem ocupar cargo eletivo. Ele é um dos investigados na ação sob relatoria de Dino.
Antes da declaração, o presidente do PL ainda contava com a “solidariedade” de presidentes partidários por causa da investigação. Depois de afirmar que a prática ocorre em todas as siglas, passou a ser tratado reservadamente como “algoz” por parte desses pares.
Dirigentes avaliam que Valdemar deveria ter articulado um movimento de bastidor, buscado apoio e construído uma estratégia conjunta antes de levar o tema ao debate público.
Ao colocar os demais partidos na mesma discussão, o presidente do PL abriu espaço para uma reação de isolamento. Líderes relataram que vão negar a prática e deixar Valdemar sozinho nessa frente.
O próprio Valdemar ajustou o tom na resposta oficial enviada ao STF sobre o direcionamento de emendas parlamentares.
Em petição encaminhada a Dino na segunda-feira (20), os advogados do dirigente sustentaram que ele não possui qualquer poder formal sobre emendas parlamentares.