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Em Bukele, equador bate recorde de homicídios após Noboa adotar medidas inspiradas

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Em Bukele, equador bate recorde de homicídios após Noboa adotar medidas inspiradas

O Equador registrou 9.216 homicídios em 2025, alta de 30,48% em relação ao ano anterior, apesar da política de segurança do presidente Daniel Noboa, que ampliou a presença militar, decretou estados de exceção e construiu uma megapenitenciária inspirada no modelo de Nayib Bukele, de El Salvador. Com informações do g1.

Noboa declarou conflito armado interno em 9 de janeiro de 2024 e ordenou que as Forças Armadas neutralizassem 22 grupos do crime organizado. A militarização reduziu inicialmente a violência, sobretudo dentro dos presídios, mas o efeito não se sustentou e o país viveu um de seus períodos mais violentos.

O governo também informou queda de 40% nas denúncias de extorsão em comparação com 2024 e leve redução nos casos denunciados de sequestro. O avanço dos assassinatos, porém, colocou em xeque a capacidade da estratégia oficial de conter facções ligadas ao tráfico internacional de cocaína.

Em dezembro de 2025, Noboa disse que seu governo tomou decisões difíceis ao “encarar de frente o narcoterrorismo”. O pesquisador Luis Córdova, do Observatório Equatoriano de Conflitos da Universidade Central do Equador, avalia que o presidente importou uma “estética” de guerra contra o crime, mas não conseguiu controlar as organizações.

Facções se espalharam pelo território equatoriano

A prisão La Encuentro, apresentada pelo governo como uma penitenciária no estilo salvadorenho, tem capacidade para 740 pessoas. Córdova comparou o projeto ao Cecot, presídio de El Salvador planejado para receber entre 20 mil e 30 mil presos, e disse que a estrutura equatoriana dificilmente cumprirá função semelhante.

Especialistas apontam diferenças entre os dois países. Karen Sichel, doutoranda em criminologia na Universidade de Cambridge, afirma que as gangues salvadorenhas diferem das redes transnacionais que atuam no Equador, ligadas ao mercado global da cocaína e abastecidas por recursos muito maiores.

Um levantamento da organização ACLED indicou que o crime organizado já alcançou mais de 150 dos 222 cantões equatorianos. Embora quase 80% da violência se concentre nas províncias costeiras, rotas estratégicas para o envio de drogas, facções também expandiram atividades para o interior, a Amazônia e a região insular.

O Observatório Equatoriano de Crime Organizado apontou que os grupos diversificaram suas s de renda com mineração ilegal, tráfico de pessoas e armas, lavagem de dinheiro e extorsão. Entre 2020 e junho de 2025, 83,4% dos 29.305 homicídios dolosos registrados no país envolveram armas de fogo.

A Human Rights Watch acusou forças de segurança de cometer graves violações de direitos humanos na resposta estatal ao crime, incluindo execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias e maus-tratos. A Corte Constitucional do Equador também concluiu que a situação do país não preenchia os critérios para classificação de conflito armado interno.

O Equador caiu 31 posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026 e passou a ocupar o 125º lugar, após estar na 68ª posição em 2022. Ao rebater acusações de enfraquecer a democracia, Noboa declarou: “Não se pode dizer que eu seja um ditador. Nós estamos apenas tentando fazer cumprir a lei”.

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