A Polícia Federal deflagrou nesta terça (11) a Operação Causa Própria, que investiga o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, por suspeitas envolvendo contratos financiados com recursos públicos do partido. A apuração começou após a fiscalização das prestações de contas da legenda, segundo a coluna de Mirelle Pinheiro no Metrópoles.
Os investigadores apuram indícios de uso irregular de dinheiro do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Rui Pimenta ocupa a presidência do PCO desde 1995 e figura como candidato do partido à Presidência da República em 2026.
Entre os pagamentos examinados estão cerca de R$ 900 mil destinados à Digiartegraphics Gráfica Ltda., R$ 555.092 repassados à JCO Gráfica e Editora em 2022 e mais de R$ 365.954 pagos à Dauzaker Edições e Impressões entre 2017 e 2020.
Os autos apontam incompatibilidade entre a estrutura operacional de empresas contratadas, os valores recebidos e os vínculos delas com integrantes do grupo investigado. A polícia também questiona se os serviços contratados foram efetivamente prestados e qual foi a destinação final do dinheiro público.
TSE apontou inconsistências em contas do PCO
Análises da Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias do Tribunal Superior Eleitoral identificaram problemas recorrentes nas prestações de contas partidárias e eleitorais. Há registros de contas julgadas não prestadas, desaprovadas e pareceres técnicos que recomendavam a desaprovação em diferentes exercícios.
A investigação avalia se o PCO contratou pessoas físicas e jurídicas ligadas direta ou indiretamente à própria estrutura da legenda. Os vínculos incluem familiares de dirigentes, militantes, ex-candidatos e empresas que, em tese, não teriam capacidade operacional compatível com os montantes recebidos.
Para os investigadores, Rui Pimenta exerceria posição central na administração dos recursos públicos do partido e na definição das contratações sob apuração. A autoridade policial pediu o afastamento cautelar dele das funções de gestão durante o andamento das investigações.
Rui Pimenta, de 68 anos, disputou a Prefeitura de São Paulo em 2000 e concorreu à Presidência nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, sem se eleger. A assessoria do dirigente não respondeu até a última atualização; o espaço permanece aberto para manifestação.