O ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, afirmou nesta segunda-feira (4) que tomou um empréstimo de R$ 249 mil com a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no escândalo das fraudes no INSS. Em nota, o assessor sustentou que a operação teve caráter “estritamente privado”, sem qualquer relação com o Palácio do Planalto.
Marcola já havia reconhecido anteriormente a existência do empréstimo, classificando-o como “pessoal e já quitado”. Desta vez, porém, revelou pela primeira vez o valor da operação. Ele não informou quando o dinheiro foi recebido nem quando a dívida foi quitada.
Segundo o ex-assessor, documentos relativos ao seu sigilo bancário e fiscal já foram entregues à Justiça e um advogado foi designado para prestar esclarecimentos às autoridades. Até o momento, não há investigação aberta contra Marcola.
“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça”, afirmou.
Marcola deixou a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência em 22 de julho para atuar na coordenação da campanha eleitoral de Lula.
Ligação com a investigação do INSS
Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS. A empresária é suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e de atuar como intermediária para aproximá-lo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A PF investiga se Lulinha exerceu tráfico de influência em negociações envolvendo o Ministério da Saúde e negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal. A defesa do empresário afirma que sua relação com Roberta Luchsinger é de amizade e sustenta que o contato com o “Careca do INSS” foi pontual, restrito à apresentação de uma oportunidade de negócios.
Embora existam referências, nas investigações, a um suposto pagamento de R$ 300 mil ao “filho do rapaz” — que inicialmente levantou suspeitas sobre Lulinha —, a Polícia Federal não incluiu nem o filho do presidente nem Roberta Luchsinger no pedido de indiciamento de 48 investigados apresentado em julho.
A defesa de Lulinha também nega qualquer envolvimento com as fraudes no INSS e afirma que não há provas de atuação ilícita.