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Ebola: 71 Novos Casos em Um Dia – CDC Alerta para Risco de Epidemia Histórica na África

Expresso Rio
Imagem: Jospin Mwisha / AFP

O surto de Ebola que atinge a República Democrática do Congo ganhou novos contornos de preocupação internacional após o registro de 71 novos casos confirmados em apenas 24 horas. Autoridades de saúde também contabilizaram mais 21 mortes relacionadas à doença, elevando o total para 452 casos confirmados e 82 óbitos.

Os números foram divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo e reforçam os alertas emitidos por especialistas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que consideram o atual cenário capaz de evoluir para uma das maiores epidemias de Ebola já registradas.

Segundo os pesquisadores, a principal preocupação não está em uma mutação do vírus, mas no fato de que a transmissão comunitária pode ter ocorrido durante semanas ou até meses antes da identificação oficial do surto.

O foco inicial está concentrado em Mongbwalu, importante centro de mineração artesanal de ouro localizado na província de Ituri. A instalação de um novo laboratório de diagnóstico na região permitiu acelerar a análise de amostras e reduzir o tempo necessário para confirmação dos casos suspeitos.

Com o aumento da capacidade de testagem, autoridades sanitárias acreditam que a dimensão real da epidemia pode ser ainda maior do que a inicialmente estimada.

Além da expansão dentro do território congolês, o surto já ultrapassou fronteiras e alcançou Uganda. O país vizinho registrou novos casos confirmados, aumentando o temor de disseminação regional.

Atualmente, a doença já afeta mais de duas dezenas de zonas de saúde distribuídas por três províncias do leste do Congo, uma região marcada por conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Modelagens desenvolvidas pelo CDC indicam que, caso apenas 20% dos pacientes sejam identificados e isolados rapidamente, existe uma probabilidade de aproximadamente 65% de que o surto ultrapasse 20 mil casos nos próximos três meses.

Por outro lado, os pesquisadores destacam que o fortalecimento das medidas de isolamento e rastreamento pode reduzir significativamente o crescimento da epidemia.

Quando cerca de 70% dos pacientes são identificados e isolados de forma eficiente, a probabilidade de um surto de grandes proporções diminui drasticamente.

Diante do agravamento da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças lançaram um plano conjunto de resposta continental.

A iniciativa busca mobilizar aproximadamente US$ 319 milhões até novembro para apoiar os países afetados e fortalecer sistemas de vigilância epidemiológica em nações vizinhas.

O orçamento total previsto para a operação pode alcançar US$ 518 milhões.

Embora os indicadores de monitoramento tenham apresentado melhora nos últimos dias, as equipes de resposta continuam enfrentando obstáculos importantes.

Quase 4.800 pessoas que tiveram contato com pacientes infectados estão sendo monitoradas pelas autoridades de saúde.

Ao mesmo tempo, organizações humanitárias denunciaram ataques contra voluntários responsáveis por operações de sepultamento seguro em áreas afetadas.

Segundo o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, diversos socorristas ficaram feridos durante uma ação em Bunia, comprometendo ainda mais os esforços de contenção.

Outro fator que aumenta a preocupação internacional é que o surto atual envolve o vírus Ebola Bundibugyo.

Diferentemente da cepa Zaire, responsável pelas maiores epidemias registradas nas últimas décadas, ainda não existe uma vacina licenciada ou tratamento específico aprovado para a variante Bundibugyo.

Diversos imunizantes e terapias experimentais seguem em desenvolvimento, mas ainda não estão amplamente disponíveis para uso em larga escala.

Especialistas alertam que a velocidade da resposta internacional nas próximas semanas será decisiva para determinar se o atual surto permanecerá regionalizado ou se poderá se transformar em uma das maiores emergências sanitárias relacionadas ao Ebola já registradas no continente africano.

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