Diplomatas brasileiros classificaram como “chantagem” a decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Na avaliação dos integrantes da diplomacia ouvidos pelo g1, a Casa Branca tenta usar a situação da representante brasileira para pressionar o governo Lula.

O Departamento de Estado vinculou a medida à demora do Brasil em conceder o agrément, o aval diplomático necessário para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Washington afirmou que o visto de Viotti poderá ser restabelecido caso o governo brasileiro aceite o nome indicado por Trump.

A condição imposta pelos Estados Unidos é o principal motivo para a classificação de “chantagem”. Diplomatas avaliam que o governo estadunidense transformou um procedimento confidencial e rotineiro das relações internacionais em instrumento público de pressão política.

A indicação de Perez foi anunciada sem que o Itamaraty tivesse sido previamente consultado, contrariando a prática diplomática de submeter informalmente o nome ao país anfitrião antes da divulgação. O procedimento adotado pelos Estados Unidos provocou incômodo no governo brasileiro.

Autoridades do Palácio do Planalto já indicaram que não pretendem rejeitar Daniel Perez, mas afirmam que o Brasil fará uma análise cuidadosa de seu histórico e seguirá todas as etapas previstas. Não existe prazo obrigatório para a concessão do agrément.

A revogação do visto não representa a expulsão de Maria Luiza Viotti dos Estados Unidos. Segundo o governo estadunidense, ela poderá continuar no país, embora permaneça sem um visto válido enquanto durar o impasse. A diplomata ocupa o posto em Washington desde 2023.

A nova tensão ocorre dez dias depois de o Brasil negar vistos a Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o país. Os dois foram associados a uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, acusação negada pelo governo Trump.