Desembargadora fala em “escravidão” após cortes no TJ-PA

Expresso Rio
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA). Foto: Reprodução

Uma declaração feita durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) gerou repercussão ao abordar a situação financeira da magistratura. A desembargadora Eva do Amaral Coelho criticou os cortes recentes em benefícios destinados à categoria e afirmou que a realidade enfrentada por juízes tem se tornado cada vez mais difícil.

Durante sua fala, a magistrada contestou a forma como membros do Judiciário vêm sendo retratados publicamente. Segundo ela, há uma percepção equivocada de que juízes buscam vantagens indevidas, o que, na avaliação dela, tem contribuído para um cenário de desgaste e desvalorização profissional.

“Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas como privilégios, com expressões pejorativas, é algo que desqualifica toda a magistratura”, afirmou durante a sessão.

 

Críticas à redução de benefícios

A desembargadora também destacou que a diminuição de verbas tem impactado diretamente o cotidiano dos magistrados. Em seu discurso, ela apontou dificuldades financeiras enfrentadas por colegas, indicando que há preocupação com a capacidade de arcar com despesas básicas no futuro.

Ela afirmou ainda que a situação tem levado juízes a reverem até mesmo gastos essenciais, incluindo cuidados com a saúde. Segundo a magistrada, há casos em que profissionais deixaram de buscar atendimento médico por limitações financeiras.

“Regime de escravidão”

O ponto mais contundente da declaração ocorreu quando Eva do Amaral Coelho comparou a situação vivida pelos magistrados a um “regime de escravidão”. A fala foi feita ao projetar um cenário futuro em que, segundo ela, a continuidade dos cortes poderá comprometer ainda mais as condições de trabalho.

A desembargadora também alertou para possíveis reflexos na prestação de serviços à população. De acordo com ela, caso a situação se agrave, o impacto poderá ser sentido diretamente por quem depende do sistema de Justiça.

“A população vai perceber quando procurar a Justiça e não encontrar a resposta que espera”, afirmou.

A declaração chamou atenção pelo tom crítico e pela comparação utilizada, especialmente em um momento de debate sobre gastos públicos e benefícios de diferentes categorias do funcionalismo. O posicionamento reforça a tensão entre a magistratura e a opinião pública em torno do tema.

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