A Polícia Federal investiga se imóveis usados pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) representaram vantagens indevidas ligadas a contratos firmados com o governo estadual. A apuração integra a segunda fase da Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (14), com 16 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos endereços é uma casa de luxo em Petrópolis, na Região Serrana, que recebeu agentes da PF. O imóvel está em nome de uma mulher sócia do empresário Luiz Fernando Gomes, dono da Engeprat Engenharia e Serviços, companhia que acumulou mais de R$ 350 milhões em contratos com o governo fluminense.
Os investigadores apontam que cerca de R$ 50 milhões dos contratos da Engeprat foram celebrados sem licitação. A PF busca esclarecer se a relação entre o imóvel, o empresário e os serviços contratados pelo estado indica favorecimento a particulares.
A investigação afirma que Castro frequentava a casa em fins de semana e apura a participação dele em reformas na propriedade, incluindo a instalação de uma adega. O condomínio fica na Fazenda Inglesa e reúne cerca de 20 residências, avaliadas em mais de R$ 2 milhões.
PF também analisa cobertura onde Castro mora na Barra da Tijuca
A operação alcançou ainda a cobertura onde o ex-governador vive com a família, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A PF examina o aluguel do apartamento e investiga se a utilização do endereço se relaciona a pagamentos ou benefícios concedidos à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital.
Na primeira fase da Sem Refino, em maio, agentes apreenderam um celular e um tablet de Castro na cobertura. A análise do telefone levou a PF a apurar a proximidade entre o ex-governador e o grupo empresarial ligado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Os investigadores sustentam que Castro não atuaria diretamente na emissão de licenças ambientais para a refinaria, mas teria criado ambiente favorável aos interesses da empresa dentro de órgãos estaduais. A PF atribui a atuação direta no caso ao então secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e ao ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Renato Bussière.
Em 2024, técnicos do Inea se manifestaram contra a renovação da licença da Refit após um relatório apontar aumento da contaminação do solo na região. A autorização saiu apesar do parecer técnico, e Rossi exonerou quatro servidores, entre eles a diretora responsável pela área. Ele e Bussière negam irregularidades.
A defesa de Castro negou participação em irregularidades envolvendo a Refit e afirmou que a casa alvo de buscas em Petrópolis não tem ligação com o ex-governador há meses. Os advogados disseram que ainda aguardam acesso integral às informações para detalhar a manifestação. Ricardo Magro, dono da Refit, está foragido desde a primeira fase e integra a lista vermelha da Interpol.




