A Petrobras anunciou em 14 de agosto de 2026 que encontrou petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira. A descoberta, na bacia da Foz do Amazonas, abre uma etapa de avaliação para verificar o tamanho, a qualidade e a viabilidade econômica das reservas.
O poço fica a 175 quilômetros da costa de Oiapoque, no Amapá, e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A estatal detém 100% de participação no bloco, adquirido sob o regime de concessão, e mantém as operações de perfuração para avançar na avaliação exploratória.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a descoberta pode “reposicionar o Brasil na geopolítica global”. Ele atribuiu o resultado ao trabalho do governo em defesa da soberania energética e disse que a região pode atrair centenas de bilhões de reais em investimentos, empregos e renda, caso seu potencial se confirme.
Para David Zylbersztajn, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a incidência de óleo é uma grande notícia mesmo sem estimativa da reserva. Ele lembrou em entrevista ao Estadão que a Exxon perfurou 64 poços na porção da Margem Equatorial situada na Guiana antes de encontrar petróleo.
Especialistas pedem cautela sobre o volume da reserva
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, disse ao Estadão que ainda não há números da Petrobras que permitam classificar a descoberta como relevante. Para ele, o anúncio evidencia a importância de o Ibama agilizar a análise de licenças ambientais para a atividade na região.
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás afirmou que a confirmação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas reforça as perspectivas de produção de petróleo e gás em outras áreas do país. A entidade avaliou que uma nova fronteira no extremo Norte pode fortalecer a segurança energética brasileira no médio e no longo prazo.
Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, afirmou que o resultado reduz o risco geológico da Margem Equatorial. “Se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, aí sim podemos estar diante de uma nova fronteira capaz de ter importância estratégica para a Petrobras na próxima década”, disse.
O gestor Hugo Queiroz, da Soho Capital, estimou que a primeira produção levaria ao menos de seis a oito anos. Na avaliação dele, a área pode ajudar a Petrobras a recompor reservas e ampliar sua produção futura, enquanto a companhia poderia vender ativos em águas rasas para concentrar recursos na nova fronteira exploratória.




