Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) acionaram a Polícia Federal para que a atuação legislativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um tema de interesse do Banco Master seja incorporada às investigações sobre a relação do senador com Daniel Vorcaro. A notícia de fato foi protocolada na quarta-feira (29) e se baseia em uma apuração do ICL Notícias.
O pedido concentra-se no artigo 58 da Lei Geral do Licenciamento Ambiental. O dispositivo reduziu a responsabilidade de instituições financeiras por danos ambientais provocados por empreendimentos financiados e limitou a obrigação dos bancos, em linhas gerais, à verificação da licença no momento da concessão do .
Segundo a representação, Flávio Bolsonaro participou das etapas decisivas para a entrada da regra em vigor. Ele votou a favor do projeto em maio de 2025, apresentou as emendas 157, 158 e 159 à Medida Provisória 1.308/2025 depois que Luiz Inácio Lula da Silva vetou o trecho e, em novembro, apoiou a derrubada do veto presidencial.
Os deputados sustentam que o Banco Master tinha interesses em setores afetados pela mudança, como mineração, minerais críticos e s de carbono. A coincidência entre a atuação parlamentar e as relações financeiras e pessoais de Flávio com Vorcaro, por si só, não comprova crime, mas é apontada pelos petistas como elemento que exige investigação.
A petição pede que a PF compare os metadados das emendas apresentadas pelo senador com mensagens e documentos apreendidos na Operação Compliance Zero. Os parlamentares também querem o cruzamento da cronologia das votações com dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos já reunidos nas apurações sobre o Banco Master.
O pedido relaciona o episódio ao financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, e a notas fiscais de R$ 1,5 milhão emitidas por um escritório ligado a Flávio para empresas associadas ao entorno de Vorcaro. Essas frentes já são objeto de procedimentos separados.
Lindbergh e Rogério solicitaram ainda que Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e outros personagens sejam ouvidos. Como o senador tem foro por prerrogativa de função, a representação pede que a Procuradoria-Geral da República seja comunicada. Os documentos citam, em tese, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas a eventual prática dos crimes dependerá das diligências e das provas reunidas.