O advogado Marco Aurélio de Carvalho, escalado pelo presidente Lula para atuar na coordenação nacional de sua campanha, afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixou de representar um problema político e se tornou um “ativo” da pré-campanha petista. Fundador do grupo Prerrogativas e defensor do filho do presidente, Carvalho também prevê que a disputa deste ano será a mais judicializada da história do país.
Segundo o advogado, o vazamento de informações protegidas pelo sigilo de Fábio Luís teria afastado as suspeitas sobre uma possível ligação dele com as fraudes investigadas no INSS. “Muita gente tinha dúvida, inclusive do nosso campo, do campo progressista. E a quebra criminosa do sigilo do Fábio foi reveladora”, afirmou ao UOL.
Carvalho sustentou que os dados não mostraram relação direta ou indireta de Lulinha com o chamado Careca do INSS ou com as irregularidades apuradas. “Se ele foi um problema, hoje ele passa a ser uma solução”, declarou. A avaliação é do advogado e coordenador da campanha, que também atua na defesa pessoal de Fábio Luís.
Ao analisar o cenário eleitoral, Carvalho afirmou que a campanha terá de enfrentar uma combinação inédita de disputas judiciais e uso de inteligência artificial para produzir ataques, ofensas e informações falsas. “Esta será, seguramente, a eleição mais judicializada da história do país”, disse.
O coordenador acusou a campanha de Flávio Bolsonaro de questionar pesquisas e tentar antecipar a disputa nos tribunais. “Eles provavelmente vão jogar baixo. Eles sempre jogaram, vão jogar mais ainda”, afirmou. Apesar das críticas, Carvalho disse não temer interferência do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro.
Em São Paulo, o advogado afirmou que o PT reúne sua estrutura mais competitiva dos últimos anos para tentar eleger Fernando Haddad governador. A estratégia envolve Marina Silva, Simone Tebet, Márcio França e Geraldo Alckmin, que recebeu de Lula a missão de articular uma força-tarefa com prefeitos do interior para reduzir a vantagem de Tarcísio de Freitas.
“O Geraldo Alckmin pode ser o Messi dessa eleição”, declarou Carvalho. Segundo ele, a campanha pretende explorar a experiência eleitoral do vice-presidente, que governou São Paulo por quatro mandatos e mantém relações com lideranças municipais de diferentes partidos.
Carvalho também elevou o tom contra Tarcísio. Chamou o governador de “frágil”, afirmou que ele é “questionável do ponto de vista moral” e acusou sua administração de leniência diante de casos de corrupção. As declarações fazem parte da estratégia anunciada pelo coordenador para confrontar a gestão estadual e associar projetos executados em São Paulo a investimentos federais.
Sobre as restrições impostas a autoridades durante o período eleitoral, Carvalho afirmou que o governo optou por excesso de cautela para evitar ações judiciais. Ele citou a retirada de cerca de 150 mil conteúdos dos canais da Empresa Brasil de Comunicação e disse que a campanha pretende contestar eventuais excessos na Justiça, mas continuará cumprindo as normas.
O advogado ainda acusou Flávio Bolsonaro de atuar para provocar retaliações econômicas contra o Brasil e de colocar sua equipe à disposição do governo de Donald Trump. Segundo Carvalho, o senador tentou se afastar do tarifaço após perceber a reação negativa entre empresários e eleitores. Flávio não foi ouvido na entrevista para responder às acusações.