A neutralidade nacional adotada pela federação União Brasil-PP e pelo Republicanos limita os palanques estaduais de Flávio Bolsonaro (PL) e abre espaço para apoios regionais a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dos comandos estaduais das siglas, 25 evitaram aproximação formal com os dois presidenciáveis, 16 formaram palanques para o candidato do PL e 11 se alinharam aos petistas.
A decisão alcançou Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, colégios eleitorais relevantes para as campanhas. As legendas negociaram uma aliança nacional com Flávio, mas dirigentes do Centrão optaram por manter margem de atuação no próximo governo, independentemente do vencedor da eleição.
Em Minas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lançou candidatura ao governo e enfrentará o empresário Flávio Roscoe (PL), único nome da disputa estadual apoiado por Flávio Bolsonaro. A União-PP indicou o vice de Mateus Simões (PSD), candidato apoiado pelo governador Romeu Zema (Novo).
No Rio, União-PP adotou a neutralidade, enquanto o Republicanos lançou Anthony Garotinho. Flávio Bolsonaro não conseguiu formar um palanque forte com Douglas Ruas (PL), adversário do prefeito Eduardo Paes (PSD). A candidatura de Garotinho pode ser retirada ou cassada pela Justiça Eleitoral.
São Paulo destoa da neutralidade e apoia Flávio Bolsonaro
Em São Paulo, União-PP e Republicanos estarão alinhados à candidatura de Flávio Bolsonaro e à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente do partido, Marcos Pereira, afirmou que o estado foi voto vencido na decisão nacional pela neutralidade.
Ao confirmar a candidatura de Tarcísio, Pereira declarou: “Nós vamos apresentar a chapa em São Paulo que será vitoriosa. Tarcísio nosso governador, Guilherme Derrite nosso senador, Felício Ramuth nosso vice(-governador) e André do Prado sendo nosso senador. E em São Paulo, o meu candidato a presidente, Flávio Bolsonaro.”
No Paraná, o PL lançou Sergio Moro ao governo depois de sua saída do União Brasil. Moro não tinha consenso para concorrer pela federação, pois não contava com o apoio do PP, presidido por Ciro Nogueira. União-PP e Republicanos apoiam Sandro Alex (PSD), aliado do governador Ratinho Júnior.
Aliados de Lula comemoraram a neutralidade porque ela reduz a estrutura de tempo de propaganda e fundo eleitoral disponível à chapa de Flávio Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esperou a definição partidária para anunciar seu apoio ao petista: “A nossa posição está sendo aqui revelada em primeira mão de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição.”
No Amapá, o União Brasil integra a mesma coligação do PT, e aliados do governo buscam o engajamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na campanha de Lula. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que Alcolumbre “já tem compromisso com nossa chapa no Amapá e está sintonizado com a reeleição de Lula”.
Flávio Bolsonaro afirmou que ainda contará com parte dos líderes das siglas, mas reconheceu o impacto da ausência de apoio formal. “Para a gente era importante a questão do tempo de televisão, das inserções”, disse. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, também apontou o tempo de propaganda como prioridade nas negociações por alianças.