O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), comunicou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o partido adotará uma posição de neutralidade na eleição presidencial de 2026. A decisão representa um revés para a estratégia do PL, que buscava ampliar sua base de apoio por meio da federação formada entre PP e União Brasil.
A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada por aliados da direção do PP. Com a definição, a tendência é que o União Brasil também permaneça neutro na disputa nacional, uma vez que as duas legendas integram formalmente a mesma federação partidária.
Neutralidade libera diretórios estaduais
A decisão foi consolidada durante uma reunião entre Ciro Nogueira e dirigentes do PP, realizada na noite de terça-feira (21), em Brasília. O entendimento é que, sem um posicionamento nacional, os diretórios estaduais terão liberdade para definir seus próprios apoios conforme a realidade política local.
Na prática, isso significa que o partido poderá apoiar candidatos diferentes à Presidência em cada estado. Em São Paulo, por exemplo, integrantes do PP tendem a caminhar ao lado de Flávio Bolsonaro. Já na Paraíba, a expectativa é de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A neutralidade da federação já era considerada um cenário provável nos bastidores. Segundo O Globo, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, vinha sinalizando a interlocutores nas últimas semanas que essa seria a posição mais viável para o grupo.
Tentativa de aliança não prosperou
A campanha de Flávio Bolsonaro tratava as negociações com Ciro Nogueira como uma das últimas oportunidades para evitar a neutralidade da federação. Durante as conversas, o PL chegou a oferecer a vaga de candidata a vice-presidente à senadora Tereza Cristina (PP-MS).
A parlamentar, entretanto, recusou o convite. De acordo com a reportagem, ela pretende concentrar esforços na disputa pela presidência do Senado em 2027, afastando a possibilidade de integrar a chapa presidencial.
Nos bastidores, interlocutores de Ciro Nogueira afirmam que a relação entre os dois líderes políticos se desgastou após a operação da Polícia Federal que investiga a suposta atuação do senador do PP em favor do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, Ciro nega qualquer irregularidade e, segundo aliados, teria se incomodado com o distanciamento adotado por Flávio Bolsonaro após a investigação ganhar repercussão.
PL volta atenções para o Republicanos
Com a neutralidade praticamente consolidada da federação PP-União Brasil, o PL deve intensificar as negociações com o Republicanos em busca de um aliado nacional. A legenda presidida por Marcos Pereira também avalia permanecer neutra, mas ainda discute a possibilidade de integrar a coligação de Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes cogitados para compor a chapa presidencial está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada recentemente ao Republicanos. Para que um acordo avance, o partido pretende discutir a indicação do candidato a vice-presidente e o apoio do PL a candidatos do Republicanos em disputas estaduais.
Apesar das conversas, dirigentes do Republicanos avaliam que ainda existem obstáculos para uma aliança nacional, principalmente em razão das divergências sobre os palanques estaduais.