O PT lançou nesta quarta-feira (22) a campanha “O Brasil não se entrega” para mirar Flávio Bolsonaro nas redes sociais em meio à entrada em vigor das tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil. A ofensiva usa três temas para tentar desgastar o pré-candidato do PL: Pix, tarifaço e terras raras.
No caso dos minérios, a campanha afirma que uma eventual perda desses recursos traria prejuízos ao país. O material saiu do grupo de pré-campanha do presidente Lula. A legenda acionou políticos do partido para participar da mobilização e também recorreu à rede recém-criada de porta-vozes, que reúne 95 mil inscritos.
A estratégia busca aproveitar críticas crescentes ao desempenho de Flávio Bolsonaro no episódio das tarifas. O temor inicial no PT era que ele voltasse dos Estados Unidos com algum anúncio de redução ou suspensão da medida, o que não ocorreu.
O partido já vinha usando a defesa do Pix como linha de ataque ao adversário desde junho. A avaliação interna é que a abordagem funcionou e abriu espaço para ampliar a ofensiva ao tarifaço, com o apelido “TariFlávio”.
Documentos de análise interna do PT apontam que “TariFlávio” virou “carro-chefe” das conversas nas redes, acima das teses “a culpa é do Lula” e “PT: Partido do Tarifaço” no debate sobre as tarifas.
Um dos textos internos atribui a perda de força desses argumentos ao anúncio de uma tarifa de 50% ao Canadá pelo governo Trump. “O que mais desarmou esse lado foi o anúncio, dias depois, de uma tarifa de 50% ao Canadá, usado à exaustão para derrubar a tese de que a taxa ao Brasil seria culpa pessoal de Lula”, diz o documento.
Os publicitários da campanha defendem exemplos práticos ao tratar de soberania nacional, pois avaliam que o termo circula mais entre a esquerda e a ala progressista. A frase “O Brasil não se entrega” funciona como eixo da peça lançada pelo partido.